OTAN e a Questão da Ucrânia

Qual o papel da Otan e qual a sua relação com a Guerra na Ucrânia?

Texto de autoria de @davidbarbosa953 e @leandronieves

A Rússia invadiu a Ucrânia na quinta-feira (24/02) após meses de tensão depois de posicionar mais de 100 mil soldados na fronteira com o país. Desde novembro, Moscou ameaçava tomar “ações militares” caso a Otan […] não se comprometesse a vetar a adesão da Ucrânia ao bloco – o que não ocorreu”. (FOLHA DE SP, 24 de fevereiro de 2022).

O trecho da notícia acima nos chama atenção pela preocupação russa com a Otan que levou o país a invadir a Ucrânia e iniciar uma guerra em 2022. Mas afinal, o que é exatamente a Otan?

Buscamos neste texto explicar a aliança militar e relacioná-la com a guerra na Ucrânia, pelo qual também explicaremos a origem do conflito.

A Otan

A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) surgiu em 4 de abril de 1949, no período da Guerra Fria, como uma aliança militar do bloco capitalista, com os Estados Unidos e mais 11 países da Europa Ocidental, contra a extinta União Soviética, do bloco socialista. Seu objetivo era evitar o avanço comunista nos países aliados e para proteção militar caso um país aliado fosse invadido pela União Soviética.

Atualmente, mesmo com o fim da Guerra Fria e com a dissolução da União Soviética, a Otan continuou na ativa, tendo como atual discurso o combate ao terrorismo. Além do novo inimigo, a Otan ampliou o número de países membros como forma de se expandir territorialmente.

De 12 membros fundadores, a Otan passou a 16 membros até 1982. A partir de 1999, a Otan expandiu a sua influência para o Leste Europeu, incluindo a Polônia, República Tcheca e Hungria. Porém é em 2004 que a tensão entre Otan e Rússia ganhou um novo impulso.

Os países como Bulgária, Estônia, Letônia, Lituânia, Romênia, Eslováquia, Eslovênia, Albânia e Croácia (que todos faziam parte do território da URSS,) ingressam como membros da Otan em 2004. Ou seja, a Otan expandiu suas fronteiras e incorporou países que eram aliados do governo de Moscou. E é justamente essa expansão que incomoda a Rússia e que potencializou a invasão na Ucrânia.

A Ucrânia e a tensão com a Rússia

A Ucrânia, localizada no Leste Europeu, foi um importante país da União Soviética tanto no sentido político como econômico. Além disso, o governo de Kiev tem um vínculo histórico com a Rússia que prevalece até hoje. O leste ucraniano, por exemplo, ainda possui forte ligação cultural e territorial com a Rússia, tendo muitos ucranianos com língua nativa russa.

Em 2004, houve uma forte mobilização anti-russa na Ucrânia (e na Geórgia) que iniciou a preocupação russa de perder a influência nos seus antigos países aliados.

Dez anos depois, uma nova crise surgiu entre os dois governos sobre a península chamada de Crimeia, cujo local possui a base militar russa em Sebastopol. Neste momento havia uma pressão do oeste da Ucrânia para ingressar na União Europeia, o que provocou uma instabilidade interna e externa.

Interna, porque o país presenciou uma guerra civil entre pró-russos e pró-União Europeia e algumas regiões como ucraniana conseguiram autonomia política. E externo porque a Rússia, justificando defender os pró-russo, buscou intervir no conflito e apoiando os grupos separatistas em Donetsky e Luhansk . Já as forças ocidentais repudiaram a ação dos russos com sanções econômicas.

Mapa da Ucrânia. Autoria: @editorgeografianovestibular

No caso da Crimeia, os pró-russos organizaram um plebiscito (que foi questionado a legalidade pelos países ocidentais) que permitiram que a península fosse anexada à Rússia. Hoje as atenções entre os dois países retornaram.

O estopim para a Guerra na Ucrânia

Em 2019 as tensões entre os dois países retornaram com a eleição do presidente Volodymyr Zelensky, que foi um ator e polêmico comediante conhecido por suas sátiras políticas. A título de comparação, o novo presidente ucraniano foi comparado na internet com o Danilo Gentili.

Em outubro de 2021, a Otan formalizou os preparativos para iniciar a inserção de três países aspirantes: a Ucrânia, a Geórgia e a Bósnia e Herzegovina. A tentativa de aproximação do Ocidente com a Ucrânia e Geórgia não é nova. Ela ocorre desde 2003 e desde então, o presidente russo Vladimir Putin vem criticando duramente a aproximação do ocidente nos seus ex-países soviéticos e alertando que poderia haver consequências.

Contudo, o discurso de Putin, em 21 de fevereiro, ganhou um novo tom alarmante ao demonstrar o seu receio com o avanço da Otan, bem como destacou outras preocupações de Moscou. Além das críticas aos EUA, Putin incluiu no seu discurso (polêmicas) críticas à Ucrânia por “desmilitarizar e desnazificar” as regiões separatistas de Donetsky e Luhansk (do leste do país ucraniano), que tem ucranianos de origem étnica russa. E foi nesse discurso que houve formalmente a declaração de guerra que iniciou a Guerra na Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022.

Fique atento no Geografia no Vestibular que em outra postagem explicaremos os desdobramentos da Guerra na Ucrânia.

Resumindo

A Otan é uma aliança militar que surgiu com 12 países para combater o comunismo na Guerra Fria. Mesmo com a dissolução da União Soviética e fim da Guerra Fria, a Otan continuou existindo e buscou se expandir para outros países europeus, como o Leste Europeu. Hoje, a organização possui 30 membros e tem três países aspirantes (que visam ingressar na aliança): Ucrânia, Geórgia e Bósnia e Herzegovina.

A Guerra na Ucrânia tem como principal motivo a expansão da Otan, porém não é apenas isso que está em questão. A Rússia e Ucrânia já se desentenderam em 2014 e a atual guerra retorna a alguns

A Ucrânia é um país que se tornou realmente independente após a dissolução da União Soviética (embora isso não seja consenso para a maioria dos historiadores), contudo, há uma forte relação histórica com a Rússia. Além disso, a Ucrânia é um território economicamente estratégico para a Rússia, além da base militar na península da Crimeia.

A Rússia, desde a dissolução da União Soviética, busca recuperar o prestígio e a sua hegemonia no Leste Europeu. Contudo, os países ocidentais através da União Europeia e da Otan buscaram ampliar sua área de influência no Leste Europeu desde os anos 90, o que intriga o governo de Putin já há um tempo.

Sobre a invasão russa na Ucrânia, o governo russo alega defender os ucranianos russos ou pró-russos e além de que luta contra a expansão ocidental na proximidade de seu país. Já o ocidente, com os EUA e a União Europeia, alega que a invasão russa desrespeita a soberania ucraniana e são contrários a incursão militar e fornecem ajuda armamentista e monetária à Ucrânia.

Fonte

ALMEIDA, D, R.P OTAN e o fim da Guerra Fria. Revista acadêmica, 2002

COSTA, D, S.R ORGANIZAÇÃO DO TRATADO DO ATLÂNTICO NORTE (OTAN): HISTÓRICO, CARACTERÍSTICAS, OBJETIVOS, FUNCIONAMENTO E INFLUÊNCIA NA SEGURANÇA COLETIVA Relações Internacionais em Revista, Curitiba, n. 6, p. 129-151, 2006.

Rocha, D, S. A. Vinco, D, O. L  O ESTADO DE GUERRA GLOBAL: SOBRE O PAPEL DA OTAN EM CONFLITOS INTERNACIONAIS REVISTA GEONORTE, Edição Especial 3, V.7, N.1, p. 232-244, 2013

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s