G7, OTAN e china

Nesta semana ocorreu duas importantes reuniões internacionais: o G7 e a OTAN. Em ambas as reuniões o tema principal foi a China.

Capa com a foto de Andrea Piacquadio no Pexels

Ambas reuniões trataram sobre assuntos relevantes para os rumos do mundo e tiveram praticamente a mesma preocupação : a China.

Confira a seguir um resumo sobre o G7 e a OTAN e os principais assuntos discutidos na reunião.

G7

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Foi criado em 1975 na França como um fórum informal que reúne anualmente os principais países do mundo, que são responsáveis pela metade do PIB do mundo, como: Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos. Além desses países, o bloco econômico da União Europeia participar das reuniões do grupo desde 1978.

Repare que o G7 exclui a China, que é a segunda maior potência econômica. Essa exclusão gera críticas ao grupo elitista.

Entre 1998 até 2014, o G7 era chamado de G8 com a participação da Rússia, contudo, o governo de Moscou foi suspenso indefinidamente do grupo após a anexação da Crimeia em 2014. Portanto, desde 2014, o G7 retornou a se encontrar.

Em virtude da pandemia do Covid-19, o G7 de 2020 foi adiado e a ocorreu entre os dias 11 até 13 de junho de 2021. Em 2021, o G7 estabeleceu:

  • Imposto mínimo de 15% para as grandes empresas multinacionais e que as grandes empresas devem pagar impostos onde geram vendas, e não apenas onde têm presença física;
  • Doar 1 bilhão de vacinas para países pobres, que embora seja uma ação de bom gosto, o número de vacinas é muito baixo para a demanda;
  • Críticas a China sobre violação de direitos humanos em Taiwan, Xinjiang e Hong Kong e pediu um novo estudo sobre a origem do Covid-19;
  • Cobram que a Rússia tome medidas contra os ataques de cibernéticos que partem de seu território chamado de ransomeware, que bloqueia o acesso a um sistema infectado e cobra um resgate em criptomoedas para que o acesso seja restabelecido. Outra demanda do grupo é que investiguem   
  • Aprovam a descabornização, como forma de substituir o uso do carvão mineral para o uso de energia limpa, de acordo com o Acordo de Paris.

É importante relembrar as variações do G7, como o:

  • “G7 mais um” ou G8: nessa variação, a Rússia foi convidada a ingressar no grupo em 1994, quando o país tornou-se capitalista. Em 2014, com a anexação russa da Crimeia, a Rússia foi afastada e o G7 retomou sua relevância.
  • G8+5 ou G13: criado em 2007, este grupo inclui o G8 e mais 5 países emergentes: África do Sul, Brasil, China, índia e México.
  • G20: criado em 1999, o G20 engloba as principais economias, representando cerca de 80% da produção econômica mundial, dois terços da população global e 75% do comércio internacional . Inicialmente, o grupo era realizado pelos ministros de finanças e presidentes de bancos centrais para discussões sobre questões macrofinanceiras. Contudo, em meio à crise financeira global de 2008, o encontro passou a incluir os líderes dos países membros e temas socioeconômicos e de desenvolvimento.

Assista também uma videoaula sobre as organizações internacionais na globalização

 Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) ou NATO (North Atlantic Treaty Organization).

É uma aliança militar surgida em 4 de abril de 1949, durante a Guerra Fria, e formada pelas principais potências ocidentais e capitalistas. Na ocasião da criação, o principal objetivo da OTAN era fazer uma aliança militar dos países capitalistas contra a União Soviética.

Mesmo com o fim da Guerra Fria, a OTAN se reformulou e hoje o seu principal objetivo é combater o terrorismo. Atualmente, a OTAN é formado por 30 países membros:

Além desses países, a Rússia, que passou de inimiga a aliada, faz hoje parte do bloco na condição de membro observador.

Dentre as principais ações da OTAN podemos lembrar da Guerra do Golfo (1991), na Guerra da Bósnia (1992), Iugoslávia (1999), Guerra do Afeganistão (2001), Guerra do Iraque (2004) e Guerra na Líbia (2011).

Recentemente a OTAN realizou uma cúpula e no seu final comunicou, pela primeira vez na história, a necessidade de responder à crescente influência militar e geopolítica da China.

Confira o que foi comentado:

“Todos os líderes concordaram que, em uma era de competição global, a Europa e a América do Norte devem se manter fortes e juntas na Otan. Para defender nossos valores e nossos interesses. Especialmente em uma época em que regimes autoritários como a Rússia e a China desafiam a ordem baseada em regras”, disse o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, em discurso de encerramento da reunião de cúpula.

“As ambições declaradas e o comportamento assertivo da China apresentam desafios sistêmicos à ordem internacional baseada em regras e às áreas relevantes para a segurança da aliança”, afirmou o comunicado final divulgado pela Otan.

O documento também delineou as preocupações da aliança com o crescente poderio militar da China. “A China está expandindo rapidamente seu arsenal nuclear com mais ogivas e um número maior de sistemas sofisticados de lançamento para estabelecer uma tríade nuclear”, apontou o documento.

A Otan também criticou os programas “opacos” de desenvolvimento de armas da China e sua “estratégia de fusão civil-militar”. A aliança ainda criticou a China por sua cooperação com a Rússia nessa área e pelo uso de campanhas de desinformação.

“A China está se aproximando de nós. Nós os vemos no ciberespaço, vemos a China na África, mas também vemos a China investindo pesadamente em nossa própria infraestrutura crítica”, disse Stoltenberg, fazendo ​​referências à construção de portos pelos chineses na África e a participação de empresas chinesas na construção de redes 5G.

“Precisamos responder juntos como uma aliança”, acrescentou o chefe da Otan, que também enfatizou: “Não estamos entrando em uma nova Guerra Fria, e a China não é nosso adversário, não é nosso inimigo.” Contudo, “precisamos enfrentar juntos, como aliança, os desafios que a ascensão da China representa para nossa segurança”.

Após a cúpula, a chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, disse que a Otan precisa encontrar o equilíbrio certo para lidar com a China.

“Se você olhar para as ameaças cibernéticas e as ameaças híbridas, se olhar para a cooperação entre a Rússia e a China, não pode simplesmente ignorar a China”, disse Merkel. “Mas também não se deve superestimar – precisamos encontrar o equilíbrio certo.”

No fim de semana, os países-membros do G7, que incluem membros da Otan, já haviam enviado recados à China, repreendendo o país asiático sobre as violações dos direitos humanos em Xinjiang e exigindo garantias para a autonomia de Hong Kong e uma investigação completa das origens da covid-19. A China criticou em duros termos o comunicado divulgado pelo G7.

Além da China, a OTAN também retomou a criticar a Rússia.

“As ações agressivas da Rússia constituem uma ameaça à segurança euro-atlântica”, destacou o comunicado da entidade. O texto condena Moscou por sua violação contínua dos “valores, princípios, confiança e compromissos delineados em documentos acordados que sustentam a relação Otan-Rússia”.

“Nosso relacionamento com a Rússia está em seu ponto mais baixo desde a Guerra Fria”, disse Stoltenberg. “Manteremos nossas defesas fortes e, ao mesmo tempo, estaremos prontos para conversar”, acrescentou, enfatizando que o objetivo era evitar mal-entendidos e escalada.

Fonte: DW

China

A segunda maior potência econômica do mundo se mostrou insatisfeita com o comunicado do G7 e com a OTAN, principalmente, sobre a acusação de direitos humanos.

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