Da política do filho único ao incentivo a natalidade: uma análise da política de natalidade chinesa

No dia 31 de maio, o governo da China anunciou a permissão que casais tenham até 3 filhos para evitar uma crise demográfica. Esse tema certamente aparecerá no vestibular.

Da política do filho único ao incentivo a natalidade:

A preocupação chinesa com o alto crescimento demográfico ocorre desde 1955, quando havia uma escassez de alimentos. Entretanto, é em 1979 que o governo chinês propõe a “política do filho único”, que buscava conter a explosão demográfica e bem como de reduzir a demanda por recursos naturais.

Essa política de filho único não abrangia todos que viviam na China e se limitava apenas para os casais em áreas urbanas, que sofriam multas caso tivesse um segundo filho. Essas regras não valiam para os casais nas zonas rurais e nem das chamadas minorias étnicas, como uigures, tibetanos, mongóis e as outras 53.  Além da multa, o governo chinês distribuía preservativos e ainda flexibilizou as condições de aborto.  

Mesmo com essa restrição, a China se manteve o mais populoso do mundo com 1,4 bilhões. Contudo, os dados mostram que o país poderá ser superado pela Índia em 2025.

Se por um lado, a política do filho único teve êxito em conter a explosão demográfica, que levou a redução de 4 a 6 filhos para um a dois filhos por mulher.

 Por outro lado, o baixo crescimento populacional tornou-se uma preocupação no governo de Pequim, cujo país depende de muita mão de obra para a agricultura e indústria. De 2010 a 2020, o crescimento da população na China foi de 5,4%, que foi a menor taxa registrada desde o início da década de 60.  O tamanho médio da família que vive na mesma residência, que era  de 3,10 entre 2000-2010, caiu para em 2010-2020 para 2,62.  

Desde 2005, o governo de Pequim tenta em vão reverter a situação demográfica no país. Ao longo do tempo, a política restritora sofreu flexibilizações até o fim da política de filho único em 2015, que passou a vigorar em 2016.

Da restrição a flexibilização da “política do filho único”:

  • 1979: Proposta do governo limita todos os casais a um filho.
  • 1982: Planejamento familiar se torna uma política básica do Estado.
  • 2000: Um casal pode ter um segundo filho, se ambos forem filhos únicos.
  • 2013: Casais são autorizados a ter um segundo filho se um deles é filho único.
  • 2015: Fim da política de um filho, todos os casais podem ter um segundo filho.

Fonte: BBC

Mesmo com o fim da política de filho único, em 2015, o crescimento da população não é suficiente para reverter a situação. Segundo a DW, “muitos casais preferem ter apenas um filho, devido aos altos custos dos sistemas de educação e saúde do país, assim como das despesas domésticas” (leia também – Por que os chineses não estão dispostos a ter mais filhos)

Analistas e o governo chinês preveem que as consequências da política de filho único são profundas e duradouras. A preocupação com o rápido envelhecimento da população é que o governo necessite aumentar os custos das aposentadorias, o que pode provocar uma queda do crescimento econômico. A proporção da população com mais de 65 anos aumentou rapidamente, de 8,87% em 2010 para 13,5% em 2020.

Para alterar esse cenário, o governo chinês anunciou no dia 31 de maio que agora será permitido que casais tenham até três filhos.

Como o tema pode cair no vestibular?

O tema certamente será visto nos vestibulares e dentre as formas possíveis, ele pode ser cobrado com uma análise demográfica com a pirâmide etária do país, como mostrado a seguir:

A primeira pirâmide, de 1950, mostra que a base é mais longa, uma maior natalidade, enquanto o topo é mais curto, o que indica baixa expectativa de vida. Nesse caso é importante relembrar da política chinesa de Mao Tse Tung com o Grande Salto Adiante que gerou uma escassez de alimentos, tendo grande número de mortalidade.

Na segunda pirâmide de 2020, observe que o meio da pirâmide é maior do que a base, o que nos permite afirmar que a população adulta é maior do que o número de jovens. Já o topo, que está mais alargado do quem 1950, mostra que está em um processo de envelhecimento e melhoria da expectativa de vida.  O vestibulando pode citar nessa pirâmide a tendência nos países de diminuição de natalidade devido ao aumento do custo de vida e entre outros aspectos que dificultam a natalidade.

E por fim na terceira pirâmide que é uma previsão demográfica de 2100, mostra o envelhecimento populacional, o que certamente irá exigir do vestibulando o entendimento sobre a questão da previdência, da falta de mão de obra e bem como de um maior cuidado e atenção com a saúde dos idosos.  

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