O crescimento da população mundial

Resumo sobre o crescimento da população mundial desde a Primeira Revolução Industrial e a projeção da ONU de 2018-2019.

O crescimento da população mundial

A demografia é o ramo da geografia que estuda o comportamento, a dinâmica e as características populacionais. O principal estudo da Geografia da População é o crescimento populacional, que passou a crescer de forma vertiginosa no século XVIII gerando preocupações na sociedade.

Tal preocupação é entendida pela possibilidade de que um excesso de população seja prejudicial a qualidade de vida da população, como por exemplo, a relação desproporcional da população com falta de alimentos e do uso dos recursos naturais (que gera maior velocidade no fim da disponibilidade dos recursos não-renováveis).  

É com a Primeira Revolução Industrial que o crescimento populacional saltou significativamente. É evidente que outras revoluções anteriores como a Revolução Agrícola também contribuíram para o crescimento populacional.

Contudo, é no contexto da Primeira Revolução Industrial que houve profundas transformações geográficas através da intensa urbanização. Com essa urbanização é que foi possível o aumento da população através da combinação do aumento da oferta de alimentos, do desenvolvimento da medicina e da concentração de contingente do êxodo rural (que serviram como mão de obra barata), garantiram um maior desenvolvimento econômico e populacional.

De uma população mundial em torno de 500 mil no século XVIII, o início do século XIX passou a contar com 1 bilhão de pessoas , sendo que 1 milhão de habitantes se concentrava apenas em Londres (Inglaterra), palco da Primeira Revolução Industrial.

Nesse momento de crescimento populacional, Thomas Robert Malthus começa a se preocupar com a relação desigual do rápido crescimento populacional e da insuficiência da produção de alimentos e de matérias-primas. Para Malthus, essa relação desproporcional provocaria a falta de alimentos e miséria, resultando num controle populacional natural através da sujeição moral (ver teoria demográfica e a teoria malthusiana).  

No século XIX, o desenvolvimento da Segunda Revolução Industrial forneceu condições para a expansão da urbanização, que consequentemente, contribuiu para as melhorias na oferta de alimentos e na condição médica-sanitária. Diante dessas condições, a população mundial alcançou 2 bilhões de pessoas entre 1804 a 1927 (em um intervalo de 123 anos).

A partir de 1927, o aumento populacional é atribuído, de forma geral, a melhoria das condições de vida e ao conforto social nos países desenvolvidos.

Sobre esse período, destacam-se 4 fatores. O primeiro fator é o desenvolvimento das políticas do Bem-Estar-Social em 1930 no Estados Unidos (e depois por outros países capitalistas na Guerra Fria), que substituiria o liberalismo econômico pelo assistencialismo governamental e melhoria da condição social tornando elementar para o aumento populacional.

O segundo fator foi a Revolução Verde que se iniciou no México em 1950 e se espalhou pelo mundo. Essa Revolução proporcionou a melhoria nas técnicas de produção alimentar a ponto de garantir a segurança alimentar mundial. O terceiro é o desenvolvimento industrial e da urbanização nos países subdesenvolvidos gerando melhorias nas condições médica-sanitária. E por fim, o quarto fator é a descolonização da África e da Ásia em que gerou mais desenvolvimento econômico e social nas regiões após o fim da neocolonização e do processo de independências. Com todos esses fatores, o aumento da população mundial precisou de apenas de 32 anos (entre 1927 até 1959) para alcançar 3 bilhões de habitantes. Em contrapartida do aumento populacional, a teoria demográfica neomalthusiana retorna a discussão sobre superpovoamento e inicia políticas antinatalistas.

Depois de 1959, a população mundial cresceu rapidamente em um menor intervalo de tempo. Para alcançar 4 bilhões, o mundo precisou de apenas 15 anos (1974). Em menor intervalo ainda, a população mundial demorou 13 anos (1987) para totalizar 5 bilhões de habitantes. Já para alcançar 6 e 7 bilhões, o planeta precisou de apenas 12 anos para cada marca (respectivamente 1999 e 2011).  

Entre os fatores gerais para o incremento populacional deve-se diferenciar a dinâmica populacional entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. Nos países subdesenvolvidos (África, Ásia e maioria dos países da América Latina) houve o aumento populacional devido ao processo de industrialização em conjunto com a expansão da urbanização (que relativamente melhorou as condições médicas sanitárias em alguns países e aumentou o custo de vida em países emergentes). Outros fatores importantes nesse grupo de países é a presença da economia rural e o pouco acesso da população aos métodos anticoncepcionais, mantendo elevada a taxa de natalidade. Em geral, o continente africano vivência desde os anos 90 o boom demográfico. Assim como, alguns países asiáticos também passam a ter um alto crescimento vegetativo.

Já nos países desenvolvidos, de forma geral, inicia-se no período destacado a diminuição da taxa de natalidade e da taxa de fecundidade e maior expectativa de vida, provocando um processo de envelhecimento no país. Em escala mundial três fatores históricos têm destaque para o aumento populacional nos países subdesenvolvidos e para a melhoria na expectativa de vida, sobretudo, nos países desenvolvidos: a Terceira Revolução Industrial, o auge da globalização e a abertura econômica com a Nova Ordem Mundial.

Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), em 2017 a população mundial foi contabilizada em 7,7 bilhões de pessoas. O crescimento populacional em 8 anos (2011-2019) mostrou uma queda no ritmo de crescimento devido a um processo de envelhecimento dos países desenvolvidos e emergentes.

Com isso, a ONU gerou uma previsão de que em 11 anos (2030) a população mundial alcançará 8,7 bilhões e depois de 20 anos (2050) a população alcançará 9,7 bilhões de habitantes. E ainda, é previsto de que após 50 anos (2100) chegará a 11, 2 bilhões de habitantes.

Se por um lado o crescimento populacional está reduzindo nos países desenvolvidos e emergentes, por outro lado, a África Subsaariana não terá uma diminuição do crescimento populacional. Segundo a ONU, somente a África subsaariana crescerá mais de 1,3 bilhões de habitantes entre 2018 a 2050. O efeito desse crescimento na África Subssariana é visto como preocupante pois pode aumentar ainda mais a vulnerabilidade da população na região.

A ONU publicou recentemente um relatório afirmando que em 2019 atingimos pela primeira vez uma maior quantidade de idosos do que de crianças (fonte). Ao todo, são 705 milhões de idosos (acima de 65 anos) contra 680 milhões de crianças (de 0 a 4 anos). Também foi calculado que em 2050 terá duas pessoas idosa para cada uma criança. Esse fato é causado pelo aumento da expectativa de vida e a diminuição da fecundidade.

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