A origem do conflito da Coreia do Norte e do Sul

Texto sobre a origem do conflito da Coreia do Norte e do Sul.

1. Divisão da Coreia

A península coreana era anexada pelo Japão desde 1910, na Era Meiji, e com a rendição japonesa no final da Segunda Guerra Mundial, foi criada a República Popular da Coreia como resolução da Conferência de Potsdam em 1945. Nessa mesma Conferência, dividiu-se em duas partes a Coreia a partir do Paralelo 38º Norte.

Fonte: Jornal o Mundo.

A região acima desse paralelo 38º Norte, chamada de Coreia do Norte, foi liderada pelo comunista Kim iI Sung, enquanto, na região abaixo do paralelo 38º Norte, a Coreia do Sul foi governado por Sygnman Rhee, aliado norte-americano e dos japoneses.

Os respectivos governos da Coreia: a parte Norte era governada por Kim il Sung Ilustração: Geografia no Vestibular.

É através dessa divisão ideológica e territorial que se inicia o conflito entre as Coreias.

Mesmo com a divisão e antagonismo ideológico entre as Coreias vivenciado pela Guerra Fria, havia um sonho de unificação entre as coreias. Contudo, pela bipolaridade da Guerra Fria, o sonho pela unificação se tornou complicado e foi adiado.

2. Guerra da Coreia (1950-1953)

Ponto 1: A Guerra da Coreia começa com a invasão norte-coreana na Coreia do Sul em junho de 1950. O objetivo do governo comunista de Kim iI Sung era unificar as Coreias através do regime comunista. Tal medida obviamente não agradou ao governo norte-americano, que passou a financiar a Guerra ao lado de sua aliada a Coreia do Sul.

Dois fatos contribuíram para que a Coreia do Norte realizasse essa invasão. O primeiro fato é relacionado a Revolução Popular na China, sobre a liderança do comunista Mao Tsé-Tung em 1949, que possibilitou um fortalecimento do regime socialista na região (afinal a China é o país colado da Coreia do Norte). Já o segundo fato é atribuído pela crise econômica na Coreia do Sul, o que viria especular uma certa fragilidade no governo de Seul.

Ponto 2: Com a invasão norte-coreana e o desrespeito à Conferência de Postdam, o Conselho de Segurança da ONU condenou a invasão norte-coreana e em retaliação enviou tropas na Coreia do Sul para conter a ocupação comunista ilegal na região. Essa tropa era composta majoritariamente por norte-americanos, e em pequenos contingentes da França, Grã-Bretanha, África do Sul, Bélgica, Canadá, Colômbia, Etiópia, Grécia, Nova Zelândia, Austrália, Holanda, Filipinas, Tailândia e Turquia. Com ajuda da ONU, os exércitos sul-coreano e norte-americano praticamente venciam a guerra, dominando quase toda a Coreia do Norte.

Ponto 3: Contudo, com a aproximação dos aliados capitalistas na fronteira entre Coreia do Norte e China (próxima ao rio Yalu) fez com que o líder chinês Mao Tse Tung ordenasse uma contra-ofensiva, com a intenção de evitar uma possível invasão capitalista na região. Dessa forma, a China começou a participar da guerra apoiando o seu aliado comunista, a Coreia do Norte, o que viria mudar os rumos da guerra.

Imagem de satélite destacando o Rio Yalu, fronteira entre Coreia do Norte e China.
Na Guerra da Coreia, o avanço das tropas da ONU (comandada pelo EUA e Coreia do Sul) ao se aproximar do rio Yalu, despertou uma tensão nos chineses por supor uma possível uma invasão. Com a aproximação, a China participa da Guerra da Coreia (ao lado da Coreia do Norte) mudando o rumo do confronto.

Após três anos de conflito, sem a possibilidade de identificar um lado vencedor, ocorre a assinatura do Armistício de Pan Munjon (em junho de 1953), o que suspende o combate (e não acaba com a guerra) e o sonho de unificação entre as duas Coreias, mantendo a divisão entre norte (comunista) e sul (capitalista). É também criado uma zona desmilitarizada na fronteira entre os limites entre os países coreanos.

A Guerra da Coreia, com 4 milhões de mortos, foi considerada como o “primeiro esboço do fim do mundo” devido a quantidade de grupos envolvidos e ser a primeira vez que uma guerra usaria combates aéreos a jatos e só não teve impacto maior, como o uso de armas nucleares, por conta do receio mundial de desencadear uma guerra maior e feroz.

Com o armistício, Rhee permaneceu como presidente vitalício na Coreia do Sul (Capitalista) e King Il-Sung permaneceu como líder da Coreia do Norte (comunista).

“Dentre os conflitos que sacudiram [o mundo] […] durante a década que se seguiu ao final da Segunda Guerra Mundial, a Guerra da Coreia constituiu o ponto de inflexão mais significativa da Guerra Fria. Esse conflito, ainda pouco conhecido, teve notável impacto mundial e foi o epicentro de um colossal confronto entre o mundo capitalista e o socialista”. (VISENTINI, 2012, p.197)


“O primeiro esboço do fim do mundo. A batalha oriental opôs chineses e americanos e quase detonou a Terceira Guerra Mundial”. Mundo Estranho

Vídeo da AFP sobre a Guerra da Coreia.

3. Do fim da guerra da Coreia até o século XXI

Com o fim da Guerra entre as Coreias, cada país seguiu rumos diferentes.

Coreia do Sul

O governo de Seul (capitalista) mesmo com diversos golpes militares, o país passou a se destacar no cenário mundial devido a ajuda econômica norte-americana (via Plano Colombo). Essa ajuda possibilitou um rápido e vertiginoso crescimento econômico, sendo o país apelidado de Tigre Asiático.

Outro apelido dado ao país coreano capitalista é de plataforma de exportação, por justamente ser um país com produção voltada basicamente para a exportação. O forte capital estrangeiro e a mão de obra abundante e barata são também características do governo de Seul.

Com o crescimento econômico, a Coreia do Sul conseguiu destacar empresas nacionais no cenário mundial como a Samsung, LG, Hyundai e entre outras empresas.

Um fato interessante a destacar é que o país sul-coreano passou atualmente por uma turbulência política com o processo de impeachment da Park Geun-hye por conta de um escândalo de corrupção em 2016.

Coreia do Norte

Se, por um lado, a Coreia do Sul vivenciou um período de forte crescimento econômico, por outro lado, a Coreia do Norte, que viria a vivenciar um milagre econômico nos anos 70, passou a sofrer gradativamente com a insuficiência econômica.

O motivo dessa insuficiência é relacionada com a perda dos
laços comerciais e do apoio diplomático, quando a URSS se dissolveu em 1991, cujo evento se tornou determinante pois o governo de Pyongyang se relacionava apenas com a URSS e com a China. Por isso, diante da queda soviética, a Coreia do Norte iniciou um constante declínio econômico.

Outros fatores atribuídos ao declínio econômico do governo coreano comunista se deve ao aumento de gastos em armamentos, além de uma crise alimentar nos anos 90 e de enchentes em 1994.

No campo político, a Coreia do Norte sempre viveu um modelo de governo ditatorial com forte aparato militar, autocracia e censura dos meios de comunicação. Nesse sentido, é relevante destacar a dinastia da Coreia do Norte.

Dinastia da Coreia do Norte

A dinastia da Coreia do Norte vem da linhagem da família de Kim iI Sun , que governa o país comunista desde a divisão da Coreia pelo Paralelo 38º N na Guerra Fria.

Kim il Sun tratado como o “Grande Líder”, governou seu país com mão de ferro e culto à personalidade.

Em 1994, Kim iI Sun (1912-1994) falece e, em seu lugar, assume o seu filho Kim Jon-Il (1942-2011).

No governo de Kim Jon-Il, chamado de “Estimado Líder”, a Coreia do Norte teve um dos governos mais fechados do mundo, mantendo o pensamento comunista e que iniciou em 2006 os testes nucleares que viria a assombrar o mundo.

Com o falecimento de Kim Jon-Il em 2011, quem assume seu lugar é o seu filho o Kim Jong-Un.

Um fato curioso é que como Kim Jong-Un foi educado na Suíça, os países ocidentais presumiram que o novo governo norte-coreano teria mais abertura política e menos momentos conturbados. Contudo, as expectativas positivas foram contrariadas, pois é durante o governo de Kim Jong-Un que a corrida armamentista atinge seu ápice, com o lançamento do foguete espacial de longo alcance em 2012, e de teste nuclear com sucesso em Punggye-ri em fevereiro de 2013.  

Continuação: A Corrida Armamentista da Coreia do Norte e a reunião entre as Coreias.

Leituras e referências bibliográficas

BRITES, Pedro Vinícius Pereira. A questão nuclear na península coreana: as reformas internas na Coreia do Norte e os desafios regionais. Boletim de Conjuntura NERINT, Porto Alegre, v.1, n.1, jul de 2016.

MUNDO ESTRANHO. O que foi a guerra da Coreia? 18 de abril de 2011. Disponível em: http://mundoestranho.abril.com.br/materia/o-que-foi-a-guerra-da-coreia

PARKER. Philip. A guerra da Coreia. In: História Mundial. Guia ilustrado Zahar. Rio de Janeiro: Zahar, 2011. p.394

VISENTINI, Paulo Fagundes. Manual do candidato : história mundial contemporânea (1776-1991) : da independência dos Estados Unidos ao colapso da União Soviética. 3. ed. rev. atual. – Brasília : FUNAG, 2012.

NERDOLOGIA. Vídeo: Coreia Nuclear. 19 de setembro de 2017. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=OP1lAV1ID8M

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