A Corrida Armamentista da Coreia do Norte e a reunião entre as Coreias

Entenda os motivos da corrida armamentista e nuclear da Coreia do Norte e a tentativa de acordo de desnuclearização de paz.

A corrida armamentista da Coreia do Norte

Desde o final da Guerra da Coreia em 1953, o governo comunista vem desenvolvendo armas nucleares. Porém, é no governo de Kim Jong-Un que a corrida armamentista atinge o ápice alarmando as principais potências geopolíticas e o mundo.

A Coreia do Norte com o desenvolvimento de seu programa nuclear com base em urânio produz duas bombas atômicas por ano (segundo especialista em Ásia do Chatham House, John Swenson-Wright).

Como destacado em outra publicação nossa, podemos considerar três motivos para a corrida armamentista do governo coreano comunista: dissuasão e legitimidade interna (como necessidade de provar que o líder Kim Jong Un seja capaz de comandar o país) e o avanço técnico (forte investimento no desenvolvimento de armas nucleares).

A intenção de Kim Jong-Un com seu programa nuclear foi em criar um Míssil Balístico Intercontinental (MBI ou ICBM, da sigla em inglês Intercontinental Ballistic Missile). Esse míssil tem um longo alcance podendo alcançar qualquer lugar do mundo e ainda carregar uma ogiva nuclear.

Leia também: “A corrida armamentista do século XXI: o caso da Coreia do Norte”

Com a eleição do republicano Donald Trump no Estados Unidos em 2017, Kim Jong Un iniciou diversos testes nucleares o que ascendeu a tensão geopolítica.

De janeiro a dezembro de 2017, houve 10 testes norte-coreano de míssil intercontinental. E a cada teste realizado, o Conselho de Segurança da ONU organizava sanções econômicas que pareciam não surtir efeito. Até Rússia e China, tradicionais aliados da Coreia do Norte, se viram forçadas a favor da sanção para evitar uma guerra. Mesmo assim, as novas sanções econômicas não surtiram efeito.

O mais importante teste norte-coreano foi em 4 de julho de 2017, com o lançamento do míssil balístico intercontinental Hwasong-14.

A relação da Coreia do Norte com os Estados Unidos (e com o mundo) sofreu mudança ao longo dos sucesso nos testes armamentista em 2017.

Em 8 de agosto, após o sucesso do Hwasong-14 , o presidente norte-americano declarou à imprensa que “É melhor que a Coreia do Norte não faça mais ameaças aos Estados Unidos ou encontrarão fogo e fúria como o mundo nunca viu antes”  (fonte).

O governo comunista, ao invés de recuar, ameaçou lançar quatro mísseis em torno da base norte-americana em Guam, no Oceano Pacífico, em 9 de agosto (fonte) .

Em 29 de novembro, o governo norte-coreano testou o
Hwasong 15, com um poder de alcance maior do que a versão anterior testada em julho, inclusive com alcance a qualquer região dos Estados Unidos .

No discurso de ano novo em 2018, o líder norte-coreano ofereceu a possibilidade de diálogo com a Coreia do Sul (e ainda aproveitou o discurso para ameaçar os Estados Unidos , afirmando que o “botão nuclear está na mesa”). Nessa possibilidade de reunião, a Coreia do Sul aproveitou e convidou o líder norte-coreano para uma reunião em 9 de janeiro.

De um discurso de fogo e fúria em 2017, o ano de 2018 passou a ser visto como uma possibilidade de diálogo. E o mais improvável, é que os Estados Unidos , de Donald Trump, estaria sendo o intermediário pela organização da reunião entre as Coreias.

Reunião entre as Coreias: uma possível paz ou um impossível diálogo?

“Uma nova história começa agora -no ponto inicial da história e na era da paz” Kim Jong-Un

A frase acima foi escrita por Kim Jong Un no livro de visitas
do edifício Peace House, na margem sul da fronteira intercoreana, que sediou a reunião entre a Coreia do Norte e Coreia do Sul no dia 27 de abril de 2018.

No início de 2018, o líder norte-coreano ofereceu em público a possibilidade de diálogo com a Coreia do Sul. Nesse momento, o interesse norte-coreano era participar dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018, que seria realizado na Coreia do Sul em fevereiro. Desde 2016, as Coreias não se conversavam.

Cúpula entre as Coreias

Em 9 de janeiro de 2018 aconteceu a primeira reunião, somente com os representantes de cada país, num encontro de portas fechadas e com duração de 11 horas. Nesse encontro, além de acertar a inclusão do governo comunista no Jogos Olímpicos de Inverno, foi anunciado a intenção de uma nova reunião entre os líderes com Kim Jong Un (Coreia do Norte) e Moon Jae-In (Coreia do Sul) , o que viria acontecer em 27 de abril do mesmo ano.

No encontro do dia 27 de abril de 2018, chamado de Primeira Cúpula, realizado na zona desmilitarizada no lado sul-coreano, iniciou-se uma possibilidade de paz entre as Coreias e do fim da corrida armamentista.


O líder norte-coreano Kim Jong-un cumprimenta o presidente sul-coreano Moon Jae-in ao chegar na Zona Desmilitarizada, na sexta-feira (27) — Foto: Host Broadcaster via Reuters

A seguir um resumo sobre os temas debatidos nesse encontro histórico no dia 27 de abril de 2018:

  • Desnuclearização: para que o diálogo se mantenha entre as Coreias, foi determinado que a Coreia do Norte se desnuclearizasse, o que significa acabar com testes com armas atômicas (infelizmente, a Coreia do Norte não vem realizando uma desnuclearização, leia mais abaixo)
  • Estabelecimento de paz: na cúpula foi conversado sobre a possível paz entre as Coreias (e não mais apenas o tratado de armistício). A conversa entre as Coreias é importante, e essa possibilidade, reacendeu o sentimento de unificação entre as Coreias ou de por menos permitir o deslocamento de pessoas entre os países ou de até de restabelecer a economia.
  • Melhoria nas relações entre as Coreias: parcerias no esporte e na cultura, entretanto, nada foi conversado sobre parcerias no setor econômico;

Por quê a Coreia do Norte, que conseguiu desenvolver seu míssil intercontinental, decidiu em 2018 buscar um diálogo com a Coreia do Sul e com o Estados Unidos? Possivelmente, a intenção do governo de Pyongyang seja em negociar as sanções econômicas impostas desde 2016 com os avanços dos testes armamentistas e buscar solução para a crise alimentar e da queda das exportações do país (leia aqui).

Depois de 27 de abril de abril, a Segunda Cúpula entre Coreia do Norte e do Sul foi em 26 de maio de 2018. O encontro foi realizado
na vila fronteiriça de Panmunjom.

A Terceira Cúpula foi em 18 de setembro, quando o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, se encontrou com Kim Jong-Un em Pyongyang. Nessa reunião foi combinado os seguintes pontos:

  • a retirada de minas terrestres na fronteira entre os países coreanos;
  • fechamento de local de testes de mísseis em Tongchang-ri;
  • candidatura para sediar os jogos olímpicos de verão de 2032;
  • Ligação ferroviária e rodoviária entre os dois países;
  • Parar os exercícios militares na Linha de Demarcação Militar;
  • Remover 11 postos de guarda na zona desmilitarizada,
  • Normalizar as operações no complexo industrial de Kaesong
    e no projeto turístico de Kumgang, ambos na Coreia do Norte (leia aqui).

Cúpula de Hanói: reunião entre Coreia do Norte e Estados Unidos

Em 12 junho de 2018 foi realizado a Primeira Cúpula de Hanói, em Vietnã , entre o Donald Trump e o líder Kim Jong-Un, Nessa cúpula, os líderes assinaram um documento em que Kim se comprometeu a desnuclearização completa, enquanto, a potência geopolítica abriu possibilidade de uma relação de prosperidade entre os dois países. (leia aqui).

Kim Jong-Un, líder da Coreia do Norte, e Donald Trump, presidente dos Estados Unidos em reunião no dia 12 de junho de 2018, na Primeira Cúpula de Hanói.

A Segunda Cúpula de Hanói foi realizada em 28 de fevereiro de 2019. Essa reunião é considerada um fracasso pois não houve acordo e os líderes dos países saíram meia hora antes do previsto.

O impasse da reunião foi que Kim Jong Un exigiu o fim de todas sanções impostas ao país, enquanto, Donald Trump pedia a desnuclearização completa da Coreia do Norte. Embora o término repentino e sem um acordo, Trump negou qualquer hostilidade.

Um fato curiosos é que um dia antes desse encontro, o presidente norte-americano chegou a elogiar publicamente o líder comunista: “Seu país tem um potencial econômico tremendo. Você terá um futuro tremendo para seu país, você é um grande líder. Vamos ajudar” (leia aqui).

Infelizmente, o fracasso da Segunda Cúpula retornou a tensão entre o país norte-coreano e os Estados Unidos. Em 09 de março, os Estados Unidos acusou o regime de Kim Jong-Un em manter atividades nucleares. O governo comunista chegou a afirmar em dezembro de 2018, que só completaria a desnuclearização se os Estados Unidos fizesse o mesmo (leia aqui). E ainda, o governo norte-coreano, ameaçou suspender as negociações com os Estados Unidos em 15 de março (leia aqui) .

Mapa mental


Para entender os últimos acontecimentos entre a Coreia do Norte, Coreia do Sul e Estados Unidos leia a cronologia de 2018 e 2019

Uma consideração sobre “A Corrida Armamentista da Coreia do Norte e a reunião entre as Coreias”

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