Brexit e o futuro incerto da União Europeia

Entenda o que é o Brexit, as razões da saída do Reino Unido na União Europeia e as consequências para o país,  o bloco econômico e a unidade do continente europeu.

O que é o Brexit?

  • Brexit foi um movimento popular do Reino Unido que buscou a saída da União Europeia, o principal bloco econômico do mundo.
  • A palavra Brexit é a junção das palavras Britain (Reino Unido) e Exit (saída) que busca a saída do Reino Unido da União Europeia;
Inglaterra e grã-bretanha
Reino  Unido é formado pela Grã-Bretanha (Inglaterra, País de Gales e Escócia) e a Irlanda do Norte.
  • O Brexit foi um movimento popular da saída do Reino Unido da União Europeia. O partido que organizou esse movimento foi o Ukip (Partido de Independência do Reino Unido), que é liderado por Nigel Farage.
  • Um plebiscito foi realizado em junho de 2016 questionando a permanência do Reino Unido na União Europeia. A vitória do Brexit no plebiscito permitiu o início da discussão da saída do Reino Unido do bloco econômico;
  • Na eleição do plebiscito, a população da Escócia e da Irlanda do Norte votaram a favor da União Europeia, tendo a população da Inglaterra e do País de Gales a favor da saída (fonte).
Voto no Brexit_guia do estudante
Infográfico de Atualidades do Guia do Estudante 2017 – 1º semestre de 2017
  • Uma parcela da população que votou a favor do Brexit, se mostrou arrependida do seu voto e da incerteza do futuro (alguns chamam essa parcela de Regretixit) (fonte). Embora, o arrependimento não é possível alterar o resultado do plebiscito.
  • A saída do país ainda não foi oficializada e está sendo discutido os detalhes da separação;
  • É a primeira vez que um país irá sair da União Europeia (ver Tratado de Lisboa de 2007);

Por que o Reino Unido quer sair da União Europeia?

De forma geral, dois motivos explicam a saída do Reino Unido:

  • O primeiro motivo é devido a Crise do Euro de 2011, que atingiu principalmente os países na Zona do Euro. Nessa crise, os países do PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha) tiveram um maior impacto, gerando crises internas e provocando uma dúvida sobre o bloco econômico. A União Europeia para conter os problemas econômicos interferiu em planos econômicos, que não agradou países como o Reino Unidos (e nem os movimentos nacionalistas);
  • O segundo motivo deve-se as imigrações ilegais e ao aumento de refugiados, em decorrência da Guerra na Síria e da crise humanitária (fluxo migratório e de refugiados) que se estende de 2011 até hoje. Com o aumento de fluxo imigratório, aumentou-se os ataques terroristas de grupos e indivíduos ligados ao Estado Islâmico na Europa e gerou uma preocupação com a segurança da população contra as imigrações e aos refugiados;

Reino Unido saindo da União Europeia.jpg

Como funciona o processo de saída do Reino Unido?

  • A saída do Reino Unido só foi possível com a criação do Artigo 50, do Tratado de Roma (2007). Nesse artigo é inserido uma ferramente que garanti a saída de qualquer país da União Europeia. O artigo 50 diz o seguinte: “um Estado soberano poderá notificar a UE acerca da sua intenção de abandonar a instituição, obrigando-a, por outro lado, a negociar um tratado de saída com o Estado membro em causa” (fonte).
  • No dia 19 de junho de 2017, o Reino Unido e a União Europeia iniciam uma oficial reunião em Bruxelas, sede da UE, para negociar o Brexit (a saída do Reino Unido);
  • É estipulado o prazo de até março de 2019 para que se concretize a saída do Reino Unido na União Europeia. Por enquanto, sem muita novidade sobre a forma que se dará a saída e de suas consequências;

Qual é a possível consequência econômica e política da saída do Reino Unido?

Como ainda não foi concretizado a saída do Reino Unido, temos possíveis consequências (nada concreto):

  • A Libra esterlina, moeda do Reino Unido, passou a ser desvalorizada (hoje custa R$ 4,27);
  • A saída poderá prejudicar 3,2 milhões de cidadãos europeus que vivem no Reino Unido e 1,2 milhão de britânicos que vivem, trabalham e recebem benefícios sociais nos demais 27 países da União Europeia. E ainda, pode-se complicar a questão da fronteira entre a Irlanda (República) e a Irlanda do Norte (pertencente ao Reino Unido);
  • Se não houver acordo com a União Europeia, o Reino Unido terá dívidas de acordos de longo prazo já assumidos, cujo montante da dívida é estimado entre 60 bilhões a 100 bilhões de euro (fonte);
  • A Escócia se declarou a favor da União Europeia e afirmado pela primeira-ministra escocesa Nicola Sturgeon que se houver saída do Reino Unido a União Europeia, a Escócia poderá ter independência do Reino Unido (fonte);
  • O acordo entre UE e Reino Unido envolvem desde acordos nucleares até áreas de pesca marítima (fonte);
  • A UE já deixou claro que não vai ceder na questão das quatro liberdades: a livre circulação de bens, capital, serviços e trabalhadores, que considera indissociáveis. (fonte);
  • Outros movimentos populares e conservadores tem surgido na Europa com o mesmo objetivo do Brexit. Como o Nexit [Netherlands (Holanda)] + Exit = saída da Holanda da União Europeia e entre outros.
Situação dos partidos nacionalistas na Europa
Infográfico da apostila Atualidades do Guia do Estudante – 1º semestre de 2017

Qual o futuro da União Europeia (e dos blocos econômicos)?

Com o Brexit, o futuro da União Europeia é incerto. Com a formalização da saída do Reino Unido (principal polo econômico da União Europeia) outros movimentos nacionais pode seguir o seu exemplo.

Imagem2

Se a União Europeia desmoronar (que é o único bloco econômico mais completo com o livre comércio, união aduaneira, mercado comum e união monetária), o que será do futuro dos blocos econômicos mais simples como o Nafta, o Mercosul e entre outros? Como seria estabelecida esta Nova Ordem Mundial e como seria a globalização e as relações econômicas se realmente a União Europeia e todos os blocos econômicos se desmancharem?

Angela Merkel, primeira-ministra da Alemanha (em seu quarto mandato), é a principal defensora da manutenção da União Europeia e vem buscando manter esta unidade.  No ano passado,  em Hamburgo (na Alemanha) foi realizado a reunião do G20, e a Merkel buscou aumentar as parcerias de outras regiões (como a América Latina) para fortalecer a União Europeia. A primeira-ministra alemã não está sozinha. Na França, o Emmanuel Macron, eleito presidente em 2016 (que venceu a ultradireitista Marine Le Penn) defende a manutenção da Europa unida. Na candidatura de Macron foi feito uma campanha chamada “Em Marcha!” que mostrou os ‘arrependidos’ por terem votado no Brexit (e até no Trump no EUA) como forma de alerta aos perigos dos sentimentos nacionalistas (fonte).

Em contraposição ao esforço de Merkel e Macron, surgiu na Europa um aumento de movimentos nacionalistas contrários a União Europeia (chamados de eurocéticos), cujo movimento tem em sua maioria o ideário da xenofobia e da islamofobia, o que vem garantido uma crise e instabilidade na Europa e na União Europeia. Na própria Alemanha de Merkel, venceu nas últimas eleições parlamentares o partido nacionalista conservador, a Alternativa para a Alemanha (AfD) e também o Partido Democrático Liberal (FDP) defensor da anti-imigração. Na Itália, dois partidos populistas e eurocéticos ganharam as eleições parlamentares, enquanto, na Espanha, o nacionalismo e separatismo da Catalunha estremece as relações na União Europeia.

Pelo aumento da presença dos nacionalista na Europa e a crise humanitária, que não se encerrará enquanto houver o fim da Crise na Síria, o futuro da União Europeia tenderá a se encerrar ou por menos em desestabiliza-la. Novamente, estes pensamos nos faz questionar: qual o futuro da União Europeia? Pelo o que parece, a única certeza que temos é que esse futuro é incerto.

Leia: União Europeia

Leia: Nexit


Bibliografia 

CAMARGO, Claúdio. O medo que ronda a Europa. Jornal o Mundo. Ano 26, n. 2. abril de 2018.

GIDDENS, Anthony. Continente turbulento e poderoso: qual o futuro da Europa?. São Paulo: Editora Unesp, 2014.

6 comentários em “Brexit e o futuro incerto da União Europeia”

  1. Obrigado por compartilhar o artigo, é realmente interessante o Brexit. Por certo eu vi que o HBO vai lancar un filme sobre ele. Recomendo! Eu vi e na minha opinião, este foi um dos melhores filmes de drama que foi lançado. O ritmo é bom e consegue nos prender desde o princípio. Eu sempre gosto dos filmes de drama e devo dizer que foi uma surpresa pra mim, já que foi uma historia muito criativa que usou elementos inovadores. Também teve protagonistas sólidos e um roteiro diferente. Muito bom. Se alguém ainda não viu, eu recomendo amplamente, vocês vão gostar com certeza.

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