O poder da fake news

O poder da fake news

O aumento do uso de fake news levou ao pesquisador Jean-Yves Mollier problematizar que o principal desafio para a democracia é o uso do fake news, destacando o poder da fake news e a relevância de buscar meios de combate-las.

Nesse sentido, a BBC publicou um texto relacionando três casos de fake news mundiais que geraram problemas como guerra e conflitos. O primeiro caso citado na matéria foi na Ucrânia em Sloviansk, onde supostamente um menino teria sido crucificado, enquanto, na verdade a informação era invenção e foi usada para prejudicar os ucranianos contra o governo russo, no conflito da Ucrânia em 2014. A notícia falsa foi usada contra os ucranianos e levou aos cidadãos de Sloviansk (pró-Rússia) a pegar em armas e se protegerem contra os ucranianos.

O segundo caso de fake news foi relacionado com a invasão do Iraque no Kuwait em 1990. Uma menina kuwaitiana de 15 anos divulgava no congresso norte-americano atrocidades que o governo do Iraque fazia na invasão. Com o depoimento da menina, o Congresso norte-americano apoiou uma intervenção militar, o que culminou na chamada Guerra do Golfo. Contudo, a Anistia Internacional do Human Rights Watch descobriu que o depoimento da menina havia sido preparado por uma agência de relações públicas no EUA ligada a monarquia do Kuwait e a menina, na verdade, era filha de um embaixador do Kuwait na capital norte-americana. Ou seja, o depoimento foi inventado e usado para levar o EUA a intervir na invasão iraquiana, levando os países a guerra.

Por fim, o último caso citado ocorreu em 2017 em Mianmar, sudoeste asiático. Uma série de imagens falsas (segundo a BBC Reality Check) foi usada para acusar a minoria étnica rohingyas de serem violentos, o que levou a um conflito da população contra eles. As imagens usadas no caso tratavam-se do conflito na Guerra de Ruanda e foi usada para justificar a limpeza étnica no país.

Outros casos atuais de fake news mundiais noticiavam o seguinte: “Papa Francisco choca o mundo e apoia Donald Trump” e “Agente do FBI suspeito no caso de e-mails vazados de Hillary é encontrado morto em um aparente caso de suicídio-assassinato”. Em 2016, as campanhas de eleição de Donald Trump e do referendo do Brexit (que determinou a saída do Reino Unido da União Europeia) utilizaram fake news para modificar a opinião pública.

No primeiro caso, foi acusado que o governo russo teria divulgados fake news sobre a Hillary Clinton (concorrente de Trump) prejudicando a imagem da candidata democrata. Segundo a Politize!, das 50 notícias falsas mais disseminadas no facebook em 2016, 33 notícias falsas eram sobre a política do EUA. Após o ocorrido no EUA, foi criado o grupo First Draft Coalition, que une as empresas da internet como Google, Facebook e Twitter, e os veículos de comunicação, como “The New York Times” e “Washington Post”. A finalidade do grupo busca discutir a questão das notícias falsas na internet (FONTE).

No segundo caso, o líder do Brexit divulgou uma fake news que 5 milhões de imigrantes iriam ao Reino Unido até 2030. Outra fake news foi que a permanência do Reino Unido na União Europeia custava US$ 470 milhões por semana.

No Brasil, as fake news mais noticiadas foram:

  • O filho do ex-presidente Lula é o dono do frigorifico JBS.
  • A ex-presidente Dilma Rousseff tentou o suicídio ao se ver encurralada pelo impeachment.
  • O delator Alberto Yousseff foi encontrado morto na véspera das eleições de 2014.
  • O juiz Sérgio Moro é filiado ao PSDB.
  • Os tucanos querem acabar com o Bolsa Família.
  • “vários fake news” de Marielle Franco: “Marielle Franco foi casada com o traficante Marcinho VP”.
  • MTST é responsável pela ocupação no prédio de SP que desabou com o fogo;

Infelizmente, existe vários outros fake news no Brasil.

As redes sociais como Facebook, Twitter e Whatsapp contribuem (de forma indireta) para a proliferação de fake news. Por exemplo, o facebook com seu algoritmo leva aos usuários a receber uma enxurrada de notícias falsas e consequentemente, de compartilha-las. A revista Veja publicou um artigo que busca explicar as quatro razões do motivo que levam as pessoas a crerem em fake news.

Além das plataformas, o responsável pelo aumento de fake news são os bots, que são robôs com contas falsas que compartilham e espalham rapidamente uma notícia falsa. Uma reportagem da Fantástico evidencia este bots e de como funcionam.

Próximo texto: O combate contra as fake news


Outros textos do “O poder da fake news na era da informação”

4 comentários em “O poder da fake news”

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