8. Discriminação e racismo

Além do preconceito com os mexicanos e muçulmanos, Trump se envolveu em polêmicas de discriminação com mulheres, com apoio aos ‘birthers” (grupo nacionalista que questionou em 2011 sobre a nacionalidade do Barack Obama, acusando-o de ser estrangeiro) e mais atualmente com os negros.

Dois fatos importantes marcam a discriminação e racismo em agosto de 2017 duas manifestações em Charlottesville (Vírginia)  levantaram debates sobre a política de Donald Trump com o aumento do extremismo por conta da discriminação e preconceito. E no final de setembro, (re)aparece protestos  de jogadores de futebol americano contra a violência contra negros.

I) Manifestações em Charlottesville (Vírginia)

Qual o motivo da manifestação? Quando foi?

Proposta de retirada da estátua do general da Guerra Civil norte-americana Robert Lee, defensor dos Estados da Confederação (pró-escravidão) em Charlottesville;

Duas manifestações: 11 de agosto sexta-feira a noite e 12 de agosto sábado de manhã;

i) Na sexta-feira (11/08), centenas de homens e mulheres carregando tochas, fazendo saudações nazistas e gritando palavras de ordem contra negros, imigrantes, homossexuais e judeus seguiram pelas ruas da cidade de pouco mais de 50 mil habitantes. (fonte)

ii) No sábado (12/08), encorpado por mais membros de organizações de extrema-direita do país, o grupo voltou às ruas da cidade, onde se deparou com manifestações contrárias. (fonte)

Quem participou da manifestação?

Sob o lema “Unir a direita” membros nacionalistas* norte-americana (e diversos grupos racistas e não-racistas) de várias partes do EUA foram à cidade protestar contra a retirada da estátua de Robert Lee.

  • Por conta da polêmica da permanência ou retirada da estátua, um segundo grupo (oposto ao grupo da ultradireita) foram à cidade de Charlottesville para realizar no dia 12 de agosto um segundo protesto contra os supremacistas. Nesse protesto surge o conflito entre Supremacistas (grupo a favor da estátua) e os chamados Antifas (grupo contra a permanência da estátua). No conflito, teve três mortos (uma mulher e dois policiais), 34 feridos e diversos presos.
  • No caso da morte da mulher, a Heather Heyer (de 32 anos que participava do grupo Antifas) foi atropelada por um carro (dirigido por James Alex Field, de 20 anos, que participava do grupo nacionalista) que avançou contra a multidão que participava do protesto.

* A característica do grupo manifestante a favor da estátua de Charlottesville tem vários vertentes e nomes: desde nacionalista, ultradireita, extrema-direita supremacistas (grupos ligados a Ku Klux Klan), racistas e etc. A opção por usar o termo nacionalista é por considerar a hegemonia desses grupos esteve ligado a políticas em defesa do nacionalismo. Porém nesse grupo nacionalista existia uma massiva presença de apoio as ideias supremacistas brancos.

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Outra polêmica sobre o caso de Charlottesville foi a demora do presidente norte-americano em repudiar os grupos nacionalistas ligados as políticas supremacistas. Entenda melhor:

“Desde o começo do fim de semana, Trump estava sob intensa pressão política, tanto de democratas quanto dos próprios republicanos. Ele foi criticado por não ter nomeado os grupos extremistas em sua declaração logo após os confrontos em Charlottesville. No sábado, o republicano afirmou em sua conta oficial no Twitter: ‘Todos devemos estar unidos e condenar tudo o que representa o ódio. Não há lugar para esse tipo de violência na América. Vamos continuar unidos’, declarou.

Na avaliação dos críticos, a mensagem divulgada no sábado deixou implícita uma condenação tanto dos manifestantes de extrema direita quanto dos anti-extremistas pelos violentos confrontos em Charlottesville, na Virgínia. Até mesmo membros do Partido Republicano estavam entre os críticos.

No domingo (13), a Casa Branca divulgou uma nota dizendo que o chefe de estado estava condenando todas as formas de “violência, intolerância e ódio” quando falou sobre os confrontos em Charlottesville, incluindo ‘supremacistas brancos, Ku Klux Klan, neonazistas e todos os grupos extremistas’.”

 II) Protesto de jogadores de futebol americano

No início da temporada da NFL (principal liga de futebol americano) (24/09)foi marcada por protestos de jogadores ao não se levantarem na execução do hino nacional.

Qual o motivo do protesto de 2017?

No dia 23/09 Donald Trump pediu que as franquias da NFL demitisse os jogadores que não se levantassem no hino nacional antes das partidas, conforme aconteceu em 2016.

“Isso é uma falta de respeito total com nossa história nacional. É uma falta de respeito com tudo que defendemos”, declarou o presidente. Ele ainda lamentou que os jogos da NFL estejam ficando “menos violentos”. “Estão arruinando o jogo.”

Após a declaração de Trump, 200 jogadores se ajoelharam, sentavam ou erguiam os punhos cerrados durante o hino nacional norte-americano.

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Sobre o protesto de 2016

O protesto dos jogadores do NFL tem início em 2016, quando Colin Kaepernick, se ajoelhou durante a execução do hino nacional norte-americano antes dos jogos do San Francisco 49ers. Segundo Kaepernick “Eu não vou ficar de pé e mostrar respeito para a bandeira de um país que oprime pessoas negras e outras minorias” (fonte). Depois do ato de Kaepernick, outros jogadores protestaram da mesma forma pelos problemas sociais e raciais no país.

Quais problemas sociais e raciais no EUA?

Em 2015 em Baltimore (Marlyand) surgiu protestos após a morte de Freddie Gray (12/04), que foi preso numa manifestação e morto (dia 19) por lesões na coluna vertebral; Após a morte de Gray surge diversas manifestações em Baltimore. É implementado o toque de recolher;

No ano seguinte (2016) surge protestos semelhantes a de Baltimore, como em Tulsa (Oklahoma), após a morte de um homem negro que estava desarmado com as mãos para o alto pela polícia norte-americana. O fato foi gravado em vídeo e divulgado na internet. O protesto espalhou-se na Carolina do Norte.

  Leia mais:

DW – Opinião: Charlottesville reflete a América de Donald Trump;

Como a resposta de Trump a Charlottesville afastou o presidente dos maiores empresários dos EUA?

Trump justifica resposta a violência em Charlottesville e volta a atacar mídia

“Protesto de jogadores negros na NFL mostra falácia da era pós-racial”

Texto base – textos sobre Doutrina Trump e consequência geopolítica

  1. Quem é Donald Trump e as eleições norte-americana;
  2. Doutrina Trump
  3. Protecionismo econômico: retorno da indústria ao EUA
  4. Protecionismo econômico: saída do TPP
  5. Controle migracional e crise de refugiados
  6. Complementação do muro na fronteira entre EUA e México
  7. Saída do EUA no Acordo de Paris
  8. Discriminação e racismo

7 comentários em “8. Discriminação e racismo”

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