2ª fase da Unesp meio do ano 2017: prova de conhecimentos específicos de ciências humanas

Veja as 12 questões cobradas na prova na 2ª fase do vestibular meio do ano da Unesp 2017 de conhecimentos específicos da área de ciências humanas. Os temas cobrados na Unesp 2017 são capitanias hereditárias, caverna de Platão, Constituição de 1988, movimento sufragista, imperativo categórico, metafísica, racismo, Dorsal Atlântica e blocos econômicos.

Sobre a prova

A segunda fase do Vestibular Meio de Ano da Unesp 2017  aconteceu no dia 10 de junho. Ao todo o número de inscritos contam 11.800 que disputam 360 vagas.

Na prova de conhecimentos gerais na área de ciências humanas teve temas bem interessantes. Entre os temas a destacar são Capitanias hereditárias, caverna de Platão, Constituição de 1988, movimento sufragista, imperativo categórico, metafísica, racismo, Dorsal Atlântica e blocos econômicos.

As questões da 1ª fase da Unesp meio do ano 2017 estão disponíveis aqui e do tema da redação está aqui.


Questão 1 –  Caracterize os sistemas administrativos de capitanias hereditárias e de governo geral empregados na colonização brasileira. Indique duas diferenças entre esses sistemas.

A característica do sistema administrativo das capitanias era hereditária e os direitos concedidos a seus donatários configuravam um caráter descentralizador em relação ao conjunto da colônia. Enquanto ao governo geral, este era exercido mediante nomeação pelo rei e a autoridade do governador sobre a colônia tinha caráter centralizador, pois se sobrepunha ao poder local dos donatários.

Questão 02 – O movimento sufragista teve início no final do século XIX, no Reino Unido.

questão 2_unesp_meio do ano 2017_movimento sufragista

O que foi o movimento sufragista? Como tal movimento atuava? Relacione o movimento sufragista às mudanças provocadas pelo surgimento e expansão das fábricas.

Já tratamos sobre o movimento sufragista aqui.

O movimento sufragista na Inglaterra surge em 1891 com a União Nacional das Sociedades de Mulheres Sufragistas. Este movimento lutava pelo direito da mulher em votar (sufrágio feminino). O movimento atuava primeiramente como panfletagem, manifestações públicas e atos de desobediência civil como o caso da sufragista que se atirou à frente dos cavalos que disputavam o Grande Prêmio da Inglaterra, tendo morrido pisoteada.

A relação do movimento e da expansão das fábricas fez com que a mulher se conscientizasse sobre a exploração e da desigualdade entre homens e mulheres, em um época que a mulher não tinha direito a nada, o que os levou a reivindicar direitos do voto.

Questão 03 – Enquanto a filosofia que declara uma raça superior e outra inferior não for finalmente e permanentemente desacreditada e abandonada; enquanto não deixarem de existir cidadãos de primeira e segunda categoria de qualquer nação; enquanto a cor da pele de uma pessoa não for mais importante que a cor dos seus olhos; enquanto não forem garantidos a todos por igual os direitos humanos básicos, sem olhar a raças, até esse dia, os sonhos de paz duradoura, cidadania mundial e governo de uma moral internacional irão continuar a ser uma ilusão fugaz, a ser perseguida mas nunca alcançada. E igualmente, enquanto os regimes infelizes e ignóbeis que suprimem os nossos irmãos, em condições subumanas, em Moçambique e na África do Sul não forem superados e destruídos; enquanto o fanatismo, os preconceitos, a malícia e os interesses desumanos não forem substituídos pela compreensão, tolerância e boa vontade; enquanto todos os Africanos não se levantarem e falarem como seres livres, iguais aos olhos de todos os homens como são no Céu, até esse dia, o continente Africano não conhecerá a Paz. Nós, Africanos, iremos lutar, se necessário, e sabemos que iremos vencer, pois somos confiantes na vitória do bem sobre o mal. (Haile Selassie [“Discurso proferido em 1963, ONU”] apud Regina Claro. Olhar a África, 2012.)

O discurso do imperador etíope Haile Selassie destaca algumas noções centrais do Pan-Africanismo. A que “filosofia” o imperador se refere na primeira linha? Por que Selassie se refere ao regime sul-africano como “infeliz e ignóbil”? Cite duas características do Pan-Africanismo.

Essa “filosofia” que se refere o imperador é sobre o racismo, que é entendido como afirmação da superioridade da raça branca sobre os demais grupos humanos. Entre a mais trágica versão do racismo foi o arianismo nazista.

Desde 1949 havia na África do Sul o regime de apartheid – segregação da maioria negra pela minoria branca africânder, o regime “infeliz e ignóbil” mencionado pelo autor do texto – e, naquele momento (1963), uma alian- ça entre sul-africanos e portugueses (o regime salazarista que então enfrentava as guerras de independência em suas colônias africanas, daí a menção a Moçambique) começava a se articular. Por fim, como características do pan-africanismo, podemos destacar a condenação ao imperialismo (particularmente europeu) e a defesa de uma identidade africana comum – apesar das singularidades e rivalidades étnico-religiosas – fundada na experiência continental de colonização e escravidão

Questão 04 – A campanha pela Constituinte foi extremamente importante para despertar a consciência cívica dos brasileiros e estimular a organização da sociedade, criando ambiente propício à manifestação objetiva e clara da vontade do povo quanto a pontos essenciais da organização política e social. […] A alegação de que ela [a Constituição] é demasiado longa e minuciosa esconde, na realidade, a resistência dos que não querem perder privilégios tradicionais e dos que desejam eliminar da Constituição os direitos econômicos, sociais e culturais, pois tais direitos exigem do Estado um papel positivo, de planejador e realizador, deixando para trás o Estado-Polícia, mero garantidor de privilégios, antes protegidos como direitos. (Dalmo Dallari apud Adriana Lopez e Carlos Guilherme Mota. História do Brasil: uma interpretação, 2008.)

A partir do depoimento do jurista Dalmo Dallari, cite duas características do momento histórico em que a Assembleia Constituinte de 1988 foi convocada e duas características da Carta que ela elaborou.

O momento histórico em que a Assembleia Constituinte foi convocada é no período do fim da ditadura militar e da redemocratização com a Nova República.

As características da Carta de 1988 foi uma constituição cidadã onde ampliou os direitos das cidadanias e maior participação do povo no processo político.

Questão 05 – Observe o mapa.

questão 5_unesp meio do ano 2017_blocos econômicos

O que os agrupamentos no mapa representam? Cite um de seus objetivos. Identifique os agrupamentos 1 e 2.

Os agrupamentos representam a formação dos blocos ou organizações econômicas. Objetivos desses blocos ou organizações: promover a regionalização, superar as barreiras alfandegárias, desenvolvimento econômico e livre circulação de capitais e investimentos;

O agrupamento 1 é o NAFTA (Acordo norte-americano de livre comércio) formado pelo EUA, Canadá e México. E o agrupamento 2 é a União Europeia que é formada por 28 países da Europa ocidental.

Questão 06 – Veja a tabela e responda

questão 6_unesp_meio do ano 2017_população ativa e inativa

Razão de dependência corresponde ao peso da população considerada inativa sobre a população ativa. Determine, a partir das informações da tabela, as décadas que apresentaram a maior e a menor razão de dependência para a população brasileira. Apresente duas condições que determinam o processo de transição demográfica analisado.

A maior dependência ocorreu na década de 1960 e a menor ocorreu em 2010. As condições que determinaram o processo de transição demográfica foi o processo de envelhecimento da população brasileira, a inclusão da participação da mulher no trabalho e a queda da taxa de natailidade.

Questão 07 –

questão 7_unesp_meio do ano 2017_dorsal atlântica

Considerando a teoria da tectônica de placas, descreva o movimento entre as placas identificadas no mapa e apresente uma consequência desse movimento. Identifique o tipo de borda e a feição indicada pela seta.

As placas tectônicas sul-americana e placa africana possuem movimento divergente, ou seja, se separam.

Uma das consequências do movimento da Placa Sul-Americana para oeste é a colisão dessa placa com a de Nazca e do Pacífico, formando a cordilheira dos Andes e os vários vulcões dessa cordilheira.

Outra consequência é a abertura do fundo oceânico, formando uma fenda por onde ocorre extrusão magmática ou vulcânica

Entre as placas, forma-se a Dorsal Atlântica, uma cadeia montanhosa com cristas de formação geológica recente, cujas porções mais elevadas formam ilhas no Oceano Atlântica.

Questão 08 – As disparidades regionais e a concentração econômica e industrial no estado de São Paulo, principalmente em sua região metropolitana, revelam as desigualdades geradas a partir da formação do capitalismo nacional. A produtividade brasileira baseava-se nas economias de escala e na concentração espacial das atividades e de seus operadores. Isso gerou, primeiramente, as economias de aglomeração que, posteriormente, transformaram-se em “deseconomias de aglomeração”, por fatores provocados pelas forças contraditórias entre os benefícios econômicos da aglomeração e as desvantagens da concentração, levando à desconcentração industrial. (Eliane C. Santos. “A reestruturação produtiva – do fordismo à produção flexível no estado de São Paulo”. In: Eliseu S. Sposito (org). O novo mapa da indústria no início do século XXI, 2015. Adaptado.)

Apresente duas características das economias de aglomeração que contribuíram para a concentração das indústrias na região metropolitana de São Paulo e duas condições que promoveram a posterior desconcentração industrial.

Das características da chamada “economia de aglomeração”, pode-se destacar a concentração de capitais e da infraestrutura no estado de São Paulo.

A desconcentração industrial se deu graças a fatores como os maiores custos de produção, como mão de obra e aluguéis mais caros. Outro fator é além de um sindicalismo mais forte (principalmente no ABC), e infraestrutura saturada, especialmente no sistema de transportes, além da guerra fiscal.

Questão 09 – Imaginemos uma caverna subterrânea onde, desde a infância, geração após geração, seres humanos estão aprisionados. A luz que ali entra provém de uma imensa e alta fogueira externa. Entre ela e os prisioneiros há um caminho em que homens transportam estatuetas (pequenas estátuas) de todo tipo, com figuras de seres humanos, animais e todas as coisas. Por causa da luz da fogueira, os prisioneiros enxergam na parede do fundo da caverna as sombras das estatuetas transportadas atrás de um muro, mas sem poderem ver as próprias estatuetas nem os homens que as transportam. Como jamais viram outra coisa, os prisioneiros imaginam que as sombras vistas são as próprias coisas. Que aconteceria, indaga Platão, se alguém libertasse os prisioneiros? Que faria um prisioneiro libertado? (Marilena Chaui. Convite à filosofia, 1994. Adaptado.)

Na alegoria da caverna, a qual figura típica da filosofia de Platão correspondem os seres humanos aprisionados? E o prisioneiro que se liberta das algemas? Explique o significado filosófico dessas duas figuras.

A figura típica na alegoria da caverna de Platão é o senso comum, pelo qual correspondem os seres humanos aprisionados.

Representados em uma época por aqueles que se consideravam detentores de um suposto saber, como os poetas, os sofistas, os técnicos, entre outros, permaneciam, na verdade, presos a uma forma de compreensão aparente do real, o que, para Platão, constituía sinal de ignorância, já que sustentavam seus conhecimentos por meio de meras opiniões. Já o prisioneiro que se liberta das algemas simboliza, para Platão, o filósofo. Uma vez que se despojou das opiniões e dos preconceitos advindos de uma realidade aparente, o filósofo atinge uma condição intelectual capaz de contemplar a verdadeira realidade por meio do conhecimento das ideias, como a justiça, o Bem e o Belo, que constituem sua essência.

Questão 10 – A revolução científica não consiste somente em teorias novas e diferentes sobre o universo astronômico, sobre o corpo humano ou sobre a composição da Terra. A revolução científica é uma revolução da ideia de saber e de ciência. Trata-se de um processo complexo que encontra seu resultado mais claro na autonomia da ciência em relação às proposições de fé e às concepções filosóficas. A ciência é ciência experimental (baseada em experiências concretas). É a ideia de ciência metodologicamente regulada e publicamente controlável que exige as novas instituições científicas, como as academias e os laboratórios. E é com base no método experimental que se funda a autonomia da ciência, que encontra as suas verdades independentemente da filosofia e da fé. (Giovanni Reale e Dario Antiseri. História da filosofia, vol 2, 1990. Adaptado.)

A relação da revolução científica com os dogmas religiosos foi de concordância ou de ruptura? Explique qual foi o papel do método experimental para a autonomia da ciência em relação à fé religiosa.

Chamou-se revolução científica a ruptura realizada pelo pensamento científico em relação aos dogmas religiosos hegemônicos da época. Rompendo com uma visão de mundo (fundada em argumentos de autoridade inspirados nas escrituras bíblicas) proposta pelo cristianismo, a ciência experimental apresentou resultados que distanciavam o conhecimento empírico da fé religiosa, separando assim o mundo material do mundo transcendental.

Questão 11 – Leia os textos e responda

Texto 1 – É possível perguntar se a felicidade deve ser adquirida pela aprendizagem, pelo hábito ou por alguma espécie de adestramento ou se ela nos é conferida por alguma providência divina. Mesmo que a felicidade não seja dada pelos deuses, mas, ao contrário, venha como um resultado da virtude e de alguma espécie de aprendizagem ou adestramento, ela parece contar-se entre as coisas mais divinas; pois aquilo que constitui o prêmio e a finalidade da virtude se nos afigura o que de melhor existe no mundo, algo de divino e abençoado. A resposta à pergunta que estamos fazendo é evidente pela definição de felicidade, pois dissemos que ela é uma atividade virtuosa da alma. (Aristóteles. Ética a Nicômaco, 1991. Adaptado.)

Texto 2 – De acordo com estudo realizado por cientistas britânicos, nós somos mais felizes quando conseguimos um desempenho melhor do que o esperado diante do dilema risco-recompensa. Imagens escaneadas do cérebro embasaram a pesquisa, mostrando que o prazer é detectado em áreas do órgão ligadas ao bem-estar. Após correlacionar os dados, os pesquisadores chegaram a uma equação matemática. Para construir o modelo matemático, a equipe analisou os resultados de 26 pessoas que realizaram uma tarefa em ensaios repetidos, tendo que escolher entre os caminhos de recompensas monetárias garantidas ou arriscadas. Os cérebros dos participantes também foram escaneados por meio da ressonância magnética funcional. Ao final, chegou-se à conclusão de que as expectativas anteriores e recompensas futuras se combinam para determinar o atual estado de felicidade. (“Cientistas vasculham o cérebro humano e descobrem a ‘equação da felicidade’”. http://www.oglobo.com, 05.08.2014. Adaptado.)

Qual texto corresponde a uma visão metafísica e qual corresponde a uma visão científica sobre o tema da felicidade? Justifique sua resposta.

O texto 1 questiona a essência da felicidade (adquirida ou divina). Independentemente dessa resposta, Aristóteles assinala-a como algo divino e abençoado e, dessa forma, a felicidade é conceituada como atividade virtuosa da alma, inscrevendo-se na tradição metafísica ao propô-la como finalidade da essência humana a ser realizada em sua prática concreta, ou seja, nas relações sociais. O texto 2 aponta para a definição de felicidade segundo cientistas britânicos: melhor desempenho no dilema risco-recompensa. Relaciona, ainda, o prazer com o bem-estar, ligando-os a partir das reações aos caminhos de recompensas monetárias garantidas ou arriscadas, permitindo, assim, mensurar a felicidade a partir da ressonância magnética funcional, o que seria uma visão científica.

Questão 12 – É esse o sentido da famosa formulação do filósofo Kant sobre o imperativo categórico: “Aja unicamente de acordo com uma máxima tal que você possa querer que ela se torne uma lei universal”. Isso é agir de acordo com a humanidade, em vez de agir conforme o seu “euzinho querido”, e obedecer à razão em vez de obedecer às suas tendências ou aos seus interesses. Uma ação só é boa se o princípio a que se submete (sua “máxima”) puder valer, de direito, para todos: agir moralmente é agir de tal modo que você possa desejar, sem contradição, que todo indivíduo se submeta aos mesmos princípios que você. Não é porque Deus existe que devo agir bem; é porque devo agir bem que posso necessitar – não para ser virtuoso, mas para escapar do desespero – de crer em Deus. Mesmo se Deus não existir, mesmo se não houver nada depois da morte, isso não dispensará você de cumprir com o seu dever, em outras palavras, de agir humanamente. (André Comte-Sponville. Apresentação da filosofia, 2002. Adaptado.)

O conceito filosófico de imperativo categórico é baseado no relativismo ou na universalidade moral? Justifique sua resposta.

Explique o motivo pelo qual a ética kantiana dispensa justificativas de caráter religioso.

O conceito filosófico do imperativo categórico é baseado na universalidade moral, pois trata- -se de um dever cuja determinação é dada pela razão na sua universalidade e na sua não contradição, de modo que cada sujeito seja capaz de reconhecer o valor da lei moral por si mesma, independentemente dos interesses e consequências que a ela possam associar- -se. Por isso, a ética kantiana dispensa justificativas de caráter religioso, uma vez que o imperativo categórico possui legitimidade moral própria, isto é, sem nenhum fator externo que possa sancioná-lo. Ou seja, fazer a coisa certa simplesmente porque é a coisa certa a se fazer.

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