Unesp 2017 – segundo dia da segunda fase

Ontem, dia 19/12, foi o segundo dia da segunda fase do vestibular da Unesp 2017, sendo a prova de Linguagens e Códigos. Veja aqui o tema da redação e faça o download do caderno de provas.

A prova de Linguagens e Códigos foi composta por 12 questões de português e inglês e ainda a redação dissertativa e argumentativa.
 
 

Tema de redação da Unesp 2017

Nessa prova o tema da redação da Unesp 2017 foi “A riqueza de poucos beneficia a sociedade inteira?”. Os textos base trazia trechos de Thomas Piketty da obra do “Capital no século XXI”, Zygmunt Bauman da “A riqueza de poucos beneficia todos nós?” e de Hélio Schartsman “Uma defesa da desigualdade”.
 
 
Texto 1
A distribuição da riqueza é uma das questões mais vivas e polêmicas da atualidade. Será que a dinâmica da acumulação do capital privado conduz de modo inevitável a uma concentração cada vez maior da riqueza e do poder em poucas mãos, como acreditava Karl Marx no século XIX? Ou será que as forças equilibradoras do crescimento, da concorrência e do progresso tecnológico levam espontaneamente a uma redução da desigualdade e a uma organização harmoniosa da sociedade, como pensava Simon Kuznets no século XX? (Thomas Piketty. O capital no século XXI, 2014. Adaptado.)
 
Texto 2
Já se tornou argumento comum a ideia de que a melhor maneira de ajudar os pobres a sair da miséria é permitir que os ricos fiquem cada vez mais ricos. No entanto, à medida que novos dados sobre distribuição de renda são divulgados*, constata-se um desequilíbrio assustador: a distância entre aqueles que estão no topo da hierarquia social e aqueles que estão na base cresce cada vez mais. A obstinada persistência da pobreza no planeta que vive os espasmos de um fundamentalismo do crescimento econômico é bastante para levar as pessoas atentas a fazer uma pausa e refletir sobre as perdas diretas, bem como sobre os efeitos colaterais dessa distribuição da riqueza. Uma das justificativas morais básicas para a economia de livre mercado, isto é, que a busca de lucro individual também fornece o melhor mecanismo para a busca do bem comum, se vê assim questionada e quase desmentida.
* Um estudo recente do World Institute for Development Economics Research da Universidade das Nações Unidas relata que o 1% mais rico de adultos possuía 40% dos bens globais em 2000, e que os 10% mais ricos respondiam por 85% do total da riqueza do mundo. A metade situada na parte mais baixa da população mundial adulta possuía 1% da riqueza global.
(Zygmunt Bauman. A riqueza de poucos beneficia todos nós?, 2015. Adaptado.)
 
Texto 3
Um certo espírito rousseauniano parece ter se apoderado de nossa época, que agora vê a propriedade privada e a economia de mercado como responsáveis por todos os nossos males. É verdade que elas favorecem a concentração de riqueza, notadamente de renda e patrimônio. Essa, porém, é só parte da história. Os mesmos mecanismos de mercado que promovem a disparidade – eles exigem certo nível de desigualdade estrutural para funcionar – são também os responsáveis pelo mais extraordinário processo de melhora das condições materiais de vida que a humanidade já experimentou. Se o capitalismo exibe o viés elitista da concentração de renda, ele também apresenta a vocação mais democrática de tornar praticamente todos os bens mais acessíveis, pelo aprimoramento dos processos produtivos. Não tenho nada contra perseguir ideias de justiça, mas é importante não perder a perspectiva das coisas. (Hélio Schwartsman. “Uma defesa da desigualdade”. Folha de S.Paulo, 14.06.2015. Adaptado.)

 A riqueza de poucos beneficia a sociedade inteira?

Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva uma dissertação, empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
 

Comentário sobre o tema da redação

O tema da desigualdade social sempre aparece nas aulas de Geografia e em outras áreas da ciências humanas. Provavelmente o vestibulando com afinidades nessa área deve ter se saído bem no tema.

Contudo, este tema é delicado para escrever numa prova de redação e mesmo um bom aluno de geografia poderia ter encontrado dificuldade. Justamente, pois o tema poderia ter levado o estudante a abordar as causas da desigualdade, o que seria um deslize pois foge da proposta. A proposta era para abordar os benefícios ou malefícios da concentração de riqueza para o desenvolvimento da sociedade.

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