Vestibular Unesp 2017 – segunda fase

Confira a correção da prova de Ciências Humanas da segunda fase da Unesp 2017

As 24 questões da segunda fase da Unesp 2017 pode ser conferida na íntegra aqui.

Segunda fase da Unesp 2017

A prova da segunda fase é composta por 24 questões discursivas, sendo 12 de ciências humanas e 12 de ciências da natureza e matemática.

Neste post traremos a resolução da prova de ciências humanas, que agrega as disciplinas de geografia, filosofia e história.

Resultado final do vestibular

A data da divulgação do resultado final está marcada para o dia 3 de fevereiro

Resolução da prova de Ciências Humanas

1) Leia o trecho de A divina comédia, escrita pelo poeta italiano Dante Alighieri (1265-1321), no início do século XIV.

Como, em seu Arsenal1 , os venezianos fervem, no inverno, o pegajoso pez2 , pra de seus lenhos3 consertar os danos,

pois, não podendo navegar, ao invés há quem renove o lenho, ou calafete4 o casco que viagem muita fez;

e um na proa, na popa outro arremete, um faz o remo, outro torce o cordame, um remenda a grã vela, outro o traquete5 .

(A divina comédia, 2009.)

1 arsenal: lugar de conserto de navios.
2 pez: piche.
3 lenho: barco.
4 calafetar: vedar, fechar.
5 traquete: mastro.

Nos versos, o poeta refere-se ao trabalho de reparação dos navios venezianos.Descreva a natureza do trabalho desenvolvido no arsenal e explique o motivo da crise econômica das cidades italianas a partir do final do século XV

Responda: O trabalho descrito no poema é um trabalho artesanal, ou seja, desenvolvido por trabalhadores dotados de ferramentas manuais que reparavam navios mercantes. A condição de Veneza como cidade mercantil remonta à baixa idade média, período do renascimento comercial em que as cidades italianas se destacaram nas rotas que ligavam o Oriente ao Ocidente. Dante é anterior ao período de crise das cidades italianas. Esta crise se deve às novas rotas comerciais abertas pelos portugueses, em um primeiro momento, mas por outros europeus com o passar do tempo. Estas rotas tornaram o domínio italiano sobre o mediterrâneo obsoleto, o que empobreceu as cidades da península. Com o monopólio das especiarias sendo perdido pelos italianos temos espaço para o surgimento de outra potência: Portugal.

2) Leia o trecho do romance Dom Casmurro (1899), de Machado de Assis (1839-1908), em que o personagem Bento apresenta ao amigo Escobar os bens de sua família.

– Não, agora não voltamos mais [a viver na fazenda]. Olhe, aquele preto que ali vai passando, é de lá. Tomás!
– Nhonhô! Estávamos na horta da minha casa, e o preto andava em serviço; chegou-se a nós e esperou. – É casado, disse eu para Escobar. Maria onde está?
– Está socando milho, sim, senhor.
[…]
– Bem, vá-se embora. Mostrei outro, mais outro, e ainda outro, este Pedro, aquele José, aquele outro Damião…
– Todas as letras do alfabeto, interrompeu Escobar. Com efeito, eram diferentes letras, […] distinguindo-se por um apelido ou da pessoa
[…] ou de nação como Pedro Benguela, Antônio Moçambique. – E estão todos aqui em casa? perguntou ele.
– Não, alguns andam ganhando na rua, outros estão alugados. Não era possível ter todos em casa. Nem são todos os da roça: a maior parte ficou lá.

(Dom Casmurro, 1994.)

O enredo de Dom Casmurro transcorre na cidade do Rio de Janeiro, capital do Império brasileiro. A partir da análise do trecho, explicite a visão do proprietário sobre os seus escravos, as origens desses escravos e os tipos de exploração escravista na sociedade brasileira do século XIX.

Resposta: O trecho de “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, utiliza como pano de fundo aspectos da sociedade escravista do século XIX. O excerto apresenta o diálogo entre os personagens Bentinho e Escobar, nas falas observamos que Bentinho, o proprietário de escravos, concebe seus cativos como objetos, em que constitui-se uma relação patriarcal, na qual o senhor acreditava ter direito sobre as ações e a liberdade de seus cativos. Os escravos vinham de locais diferentes do continente africano, segundo o texto, observamos cativos de Moçambique e Benguela. Quando os escravos chegavam ao Brasil, eles eram rebatizados com nomes cristãos e com sobrenomes de suas nações de origem.

A exploração escravista poderia ser realizada em vários âmbitos, no campo, o escravo era utilizado como mão de obra nas lavouras agrícolas e na cidade, os cativos poderiam ser utilizados como “escravos de ganho”, ou seja, trabalhadores urbanos que exerciam funções como carregadores, vendedores ambulantes ou funcionários domésticos. Eles recebiam uma quantia que deveriam repassar aos senhores. Havia a possibilidade dos escravos serem alugados para que gerassem uma renda aos proprietários.

Resposta: O trecho de “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, utiliza como pano de fundo aspectos da sociedade escravista do século XIX. O excerto apresenta o diálogo entre os personagens Bentinho e Escobar, nas falas observamos que Bentinho, o proprietário de escravos, concebe seus cativos como objetos, em que constitui-se uma relação patriarcal, na qual o senhor acreditava ter direito sobre as ações e a liberdade de seus cativos.

Os escravos vinham de locais diferentes do continente africano, segundo o texto, observamos cativos de Moçambique e Benguela. Quando os escravos chegavam ao Brasil, eles eram rebatizados com nomes cristãos e com sobrenomes de suas nações de origem.

A exploração escravista poderia ser realizada em vários âmbitos, no campo, o escravo era utilizado como mão de obra nas lavouras agrícolas e na cidade, os cativos poderiam ser utilizados como “escravos de ganho”, ou seja, trabalhadores urbanos que exerciam funções como carregadores, vendedores ambulantes ou funcionários domésticos. Eles recebiam uma quantia que deveriam repassar aos senhores. Havia a possibilidade dos escravos serem alugados para que gerassem uma renda aos proprietários.

3)

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O caricaturista Benedito Carneiro Bastos Barreto, o Belmonte, publicou no jornal paulistano Folha da Noite essas caricaturas de Getúlio Vargas. Elas retratam as reações de Getúlio às condições históricas de cada ano de seu governo, de 1930 a 1937. Escolha dois quadrinhos, cite o momento histórico que cada um representa e explique as razões das reações emocionais de Getúlio a esses momentos.

Resposta: O aluno poderia indicar qualquer das datas abaixo:

1930 – Vargas sorridente com a vitória no movimento de 1930. Retratado ainda como gaúcho.

1931 – Um primeiro ano de governo em que o presidente se mostra como civil e sem grandes questionamentos e sem poder.

1932 – Vargas contrariado com a Revolução de 1932 em SP que demandava uma constituição ao país.

1933 – Vargas um tanto apreensivo com os trabalhos da assembleia constituinte.

1934 – Vargas sorridente por ter sido eleito indiretamente presidente.

1935 – Vargas sorridente por ter sufocado facilmente a intentona comunista.

1936 – Já sob a lei de segurança nacional, Vargas inicia as sanções políticas que eliminarão no plano Cohen.

4) Não apenas a ameaça de confronto nuclear, mas a realidade do conflito militar, formam uma parte básica do “lado sombrio” da modernidade no século atual. O século XX é o século da guerra, com um número de conflitos militares sérios envolvendo perdas substanciais de vidas consideravelmente mais alto do que em qualquer um dos dois séculos precedentes. No presente século, até agora, mais de 100 milhões de pessoas foram mortas em guerras, uma proporção mais alta da população do mundo do que no século XIX, mesmo considerando-se o crescimento geral da população.

(Anthony Giddens. As consequências da modernidade, 1991.)

As duas Grandes Guerras do século XX tiveram, em alguns aspectos, causas semelhantes. Cite dois fatores comuns que desencadearam tais guerras e cite duas razões de suas naturezas destruidoras.

Resposta: As duas Guerras Mundiais tiveram entre seus fatores comuns disputas econômicas e imperialistas. Em 1914, as principais potências imperialistas, com destaque para Alemanha, França e Inglaterra, estavam em rota de colisão por regiões estratégicas na África e Ásia, além de lutarem por hegemonia no cenário político europeu. As disputas econômicas por mercados consumidores também geraram tensão, na medida em que a Inglaterra perdia terreno para a indústria alemã em setores anteriormente dominados pela primeira. Os revanchismos que envolviam os embates militares do século XIX, tais como a disputa da Alsácia-Lorena também se manifestaram entre as causas do conflito. Nos antecedentes da Segunda Guerra Mundial, ainda que o avanço Nazi-Fascista seja responsável pelo acirramento das tensões, a natureza das mesmas se repete em relação à Primeira Guerra. Disputas por mercados, territórios e revanchismos voltaram a assombrar os líderes mundiais, conduzindo-os   para o enfrentamento militar.

As duas Guerras Mundiais tiveram como uma marca própria um crescimento vertiginoso do número de vítimas civis em seus números finais. Tal resultado decorre especialmente das contribuições que o processo de industrialização concedeu aos esforços de guerra das potências ocidentais. Deste modo, entre as várias razões que poderiam ser apontadas para a natureza destruidora dessas guerras estão: a evolução tecnológica propiciada pela Revolução Industrial, capaz de ampliar consideravelmente o poder de destruição dos novos armamentos; os novos objetivos associados ao esforço de guerra, quais sejam, a destruição completa da infraestrutura de transporte e produção do inimigo, além dos grandes centros urbanos; a introdução de novos tipos de armamentos de destruição em massa em ambas as guerras (armas químicas na Primeira, nucleares na Segunda); a proporção mundial de tais guerras afetou diretamente a produção agrícola europeia, levando regiões inteiras a registrar mortes por inanição, com maior incidência no leste europeu e leste asiático; por fim vale reforçar que o Holocausto, exclusivo da Segunda Guerra Mundial, foi responsável por adicionar alguns milhares de mortes no computo final, dados os ideais de purificação racial introduzidos de modo sistemático pelo regime Nazista.

5)Observe a imagem e responda ao que se pede

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A imagem reúne alguns dos principais elementos de uma bacia hidrográfica. Identifique a feição apontada pelo número 1 e explique a dinâmica apresentada na ampliação. Considerando as partes de um rio, defina jusante e montante.

Resposta: A feição apontada pelo número 1 pode ser definida como “divisores de água”, ou seja, os limites que definem as vertentes em que a bacia hidrográfica se circunscreve.

O termo jusante refere-se à direção normal em que o rio corre, ou seja, da nascente em direção à foz (descendo o rio); já o termo montante alude ao caminho inverso, da foz em direção à nascente (subindo o rio).

6)

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Considerando o exemplo apresentado e a expansão das multinacionais no contexto da globalização, identifique e caracterize o que ocorre com o processo produtivo das multinacionais. Cite dois fatores que levam as empresas a adotar essa nova estratégia

Resposta: Há a descentralização da produção em busca de vantagens econômicas e fiscais. As facilidades de deslocamentos de componentes pelo avanço dos sistemas de transportes e o barateamento dos custos produtivos pela mão-de-obra mais barata são alguns fatores que justificam essa estratégia.

7) O químico inglês Conrad Gorinsky conviveu com os índios uapixanas, em Roraima, durante dezessete anos. Sem avisar, foi embora do Brasil e registrou, no Escritório Europeu de Patentes, os direitos de propriedade intelectual sobre dois compostos medicinais retirados de plantas usadas pela tribo.

(Bertha K. Becker e Claudio Stenner. Um futuro para a Amazônia, 2008. Adaptado.)

Identifique e defina a prática levada a cabo pelo químico inglês. Apresente dois motivos pelos quais essa prática ainda ocorre no Brasil.

Resposta: A prática adotada pelo químico é a Biopirataria, o extravio de riquezas naturais do seu lugar de origem para países estrangeiros. O Brasil é um país que sofre com esse problema por apresentar enormes fronteiras terrestres que sofrem com a pouca fiscalização e por possuir um investimento ainda baixo em pesquisa e desenvolvimento abrindo espaço para entrada de pesquisadores estrangeiros.

8) Analise o mapa

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Quais foram os dois critérios utilizados para a regionalização apresentada no mapa? Cite duas características da Região Concentrada.

Resposta:  Os critérios principais da regionalização proposta do Professor Milton Santos foi a expressão “meio técnico-científico-informacional”, isto é, a informação e as finanças estão irradiadas de maneiras desiguais e contrastantes pelo território brasileiro, determinando quatro Brasis: Amazônia, Nordeste, Centro-Oeste e Região Concentrada.

A Região Concentrada que inclui a Região Sudeste e Sul apresenta como diferencial mediante as outras regiões grande concentração urbana e industrial, economia com forte terciarização, presença de tecnopolos com mão-de-obra altamente especializada, a presença de duas metrópoles globais (São Paulo e Rio de Janeiro) e profundos contrastes sociais, com grandes áreas periféricas e marginalizadas.

9) Quase sem exceção, os filósofos colocaram a essência da mente no pensamento e na consciência; o homem era o animal consciente, o “animal racional”. Porém, segundo Schopenhauer, filósofo alemão do século XIX, sob o intelecto consciente está a “vontade inconsciente”, uma força vital persistente, uma vontade de desejo imperioso. Às vezes, pode parecer que o intelecto dirija a vontade, mas só como um guia conduz o seu mestre. Nós não queremos uma coisa porque encontramos motivos para ela, encontramos motivos para ela porque a queremos; chegamos até a elaborar filosofias e teologias para disfarçar nossos desejos. (Will Durant. A história da filosofia, 1996. Adaptado.)

Explique a importância da concepção do homem como “animal racional” para a filosofia. Como o conceito de “vontade inconsciente”, proposto por Schopenhauer, compromete a confiança filosófica na razão?

Resposta:  A presença da racionalidade na filosofia é concomitante ao seu nascimento na Grécia antiga, e durante o decurso de seu desenvolvimento foi valorizada por filósofos como Platão, Descartes e Kant que enfatizaram a sua supremacia sobre os sentidos durante o processo de conhecimento fundamentado pela lógica. A razão se apresenta como instrumento seguro e eficiente para a crítica e para o questionamento. Contudo, Schopenhauer se destaca dentre esses filósofos por atribuir uma dicotomia entre o que chamou “representação” e “Vontade”. Para o filósofo, a maneira pela qual conhecemos o mundo não pode ser dissociada dos desejos, sobre os quais não temos pleno domínio. Nesse sentido, a confiança depositada sobre a razão fica comprometida pela desconfiança sobre a objetividade das afirmações ditas racionais, já que ela está associada a sentimentos sobre os quais não temos uma clara consciência. Essa reflexão fundamentará posteriormente as análises de Freud sobre o inconsciente humano.

10) Texto 1

Entre os que se consideram a parte civilizada da Humanidade, que fizeram e multiplicaram leis positivas para a determinação da propriedade, ainda vigora esta lei original da natureza e, em virtude dessa lei, o peixe que alguém apanha no oceano torna-se propriedade daquele que teve o trabalho de apanhá-lo, pelo esforço que o retira daquele estado comum em que natureza o deixou. Deus, ao dar o mundo em comum a todos os homens, ordenou-lhes também que trabalhassem. Aquele que, em obediência a esta ordem de Deus, dominou, lavrou e semeou parte da terra, anexou-lhe por esse meio algo que lhe pertencia, a que nenhum outro tinha direito. (Locke. Ensaio acerca do entendimento humano, 1991. Adaptado.)

Texto 2

Ora, nada é mais meigo do que o homem em seu estado primitivo, quando, colocado pela natureza a igual distância da estupidez dos brutos e das luzes funestas do homem civil, é impedido pela piedade natural de fazer mal a alguém. Mas, desde o instante em que se percebeu ser útil a um só contar com provisões para dois, desapareceu a igualdade, introduziu-se a propriedade, o trabalho tornou-se necessário e as vastas florestas transformaram-se em campos que se impôs regar com o suor dos homens e nos quais logo se viu a escravidão e a miséria germinarem e crescerem com as colheitas. (Rousseau. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, 1991. Adaptado.)

Qual a diferença entre os dois textos no tocante à origem do direito à propriedade? A partir dos textos, explique como os autores influenciaram o desenvolvimento do pensamento liberal e do pensamento socialista.

Resposta: Locke (século XVII) – liberalismo político (naturaliza o direito à propriedade, vinculando-o à capacidade humana de, através do trabalho, conquistar a natureza. Para ele, Deus , que deu o mundo em comum a todos os homens, reconhece a legitimidade da propriedade privada a todos aqueles que a conquistam (meritocracia) Rousseau (século XVIII) – os argumentos de Rousseau, ao analisar a desigualdade entre os homens, embasaram o pensamento político socialista (utópico) ao oferecer uma análise crítica no tocante às relações de desigualdade entre os homens na conquista de seus meios de sobrevivência e de apropriação do meio, sendo a propriedade a origem da desigualdade entre os homens.

11) À medida que a ciência se mostrou capaz de compreender a realidade de forma mais rigorosa, tornando possível fazer previsões e transformar o mundo, houve a tendência a desprezar outras abordagens da realidade, como o mito, a religião, o bom senso da vida cotidiana, a vida afetiva, a arte e a filosofia. A confiança total na ciência valoriza apenas a racionalidade científica, como se ela fosse a única forma de resposta às perguntas que o homem se faz e a única capaz de resolver os problemas humanos. (Maria L. de A. Aranha e Maria H.P. Martins. Temas de filosofia, 1992.)

Com base na ideia de “verdade absoluta”, explique a diferença entre mito e ciência. Considerando a expressão “confiança total na ciência”, explique como o próprio conhecimento científico pode se transformar em mito

Resposta: A diferença entre mito e ciência, como o próprio texto menciona, está situada no rigor metodológico com que esses conhecimentos são produzidos. A mitologia, por se tratar de narrativas que buscam contar e significar os acontecimentos, não possui comprometimento com a verificação, se fechando ao questionamento. Mas, a ciência, na medida em que se apresenta socialmente como expressão absoluta da verdade, perde sua capacidade crítica de conhecer a realidade por suprimir o controverso no processo de conhecimento adquirido através da formulação de hipóteses, sempre aberta a novas análises e teorias. Quando perde essa capacidade reflexiva, aproxima-se, como verdade absoluta, do mito.

12) Sendo, pois, de duas espécies a virtude, intelectual e moral, a primeira gera-se e cresce graças ao ensino – por isso requer experiência e tempo –, enquanto a virtude moral é adquirida em resultado do hábito. Não é, pois, por natureza, que as virtudes se geram em nós. Adquirimo-las pelo exercício, como também sucede com as artes. As coisas que temos de aprender antes de poder fazê-las, aprendemo-las fazendo; por exemplo, os homens tornam-se arquitetos construindo e tocadores de lira tocando esse instrumento. Da mesma forma, tornamo-nos justos praticando atos justos, e assim com a temperança, a bravura etc. (Aristóteles. Ética a Nicômaco, 1991. Adaptado.)

Responda como a concepção de Aristóteles sobre a origem das virtudes se diferencia de uma concepção inatista, para a qual as virtudes seriam anteriores à experiência pessoal. Explique a importância dessa concepção aristotélica no campo da educação

Resposta: A concepção inatista na filosofia considera que o homem já vem ao mundo com um ethos determinado por sua natureza, como são exemplares nas filosofias de Platão e Descartes. Para essa concepção, existe uma essência a qual estão presos os nossos modos de agir. Para o filósofo Aristóteles, como afirmado no texto, a virtude é fruto do hábito, necessitando das experiências para que se consolidem no indivíduo. Reportando esse pressuposto para o campo da educação, podemos entende-la como fundamental para a construção moral dos sujeitos, no sentido da orientação para a vida em coletividade e ampliação da liberdade. Nota-se que Aristóteles, materialista, foi fundador do Liceu, uma escola em que as atividades práticas tinham grande importância como método de aprendizagem para os alunos

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